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Pretos e pardos já são maioria entre as vítimas que morreram por covid-19

Vítimas da covid-19 são sepultadas no Cemitério da Vila Formosa, na zona leste de São Paulo-SP - Werther Santana/Eestadão Conteúdo
Vítimas da covid-19 são sepultadas no Cemitério da Vila Formosa, na zona leste de São Paulo-SP Imagem: Werther Santana/Eestadão Conteúdo

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

19/05/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Pessoas negras e pardas somam 54,8% das mortes por covid-19 registradas no Brasil
  • Pessoas brancas são maioria entre os internados (51,4%), mas minoria entre os mortos (43,1%)
  • Já pessoas pardas são 38,7% dos hospitalizados, mas 47,3% das vítimas fatais por covid-19
  • É uma realidade já esperada pela comunidade médica, devido à desigualdade social que a pandemia agora escancara

Pretos e pardos agora compõem a maioria das pessoas mortas por covid-19 no Brasil. Segundo o boletim epidemiológico divulgado ontem pelo Ministério da Saúde, 54,8% dos óbitos registrados são de pessoas pretas e pardas. Ao todo, o País contabiliza mais de 250 mil diagnósticos da doença e 16.792 óbitos, segundo dados de segunda (18).

De acordo com os dados oficiais, as pessoas brancas ainda são maioria entre os pacientes hospitalizados com Síndrome Respiratória Aguda Grave (51,4%), mas viraram minoria entre os mortos (43,1%). Já entre as pessoas pardas há diferença considerável na proporção de internados e mortos: elas são 38,7% nos hospitais, mas 47,3% das vítimas fatais.

Pessoas pretas são 7% dos internados, mas 7,5% entre os mortos; indígenas, 0,3% e 0,5%; e amarelos têm a mesma proporção nos dois recordes (1,7%).

"Isso já era conhecido e até esperado. Pretos e pardos em grande medida pertencem às classes econômicas mais baixas e são quem tem menos assistência médica. As condições econômicas piores significam assistência médica pior, o que resulta em condições piores de atendimento", lamenta o infectologista Marcos Boulos, da Superintendência de Controle de Endemias de São Paulo (Sucen-SP).

A cidade de São Paulo, por exemplo, divulgava há um mês um mapeamento da covid-19 por bairros que já deixava clara a aceleração da doença nas periferias.

"A porcentagem de óbitos é maior na periferia. Isso mostra que as pessoas com menos recursos econômicos têm maior dificuldade de chegar à assistência para ser tratado melhor. Os hospitais de periferia têm menos condições do que no centro, inclusive falta hospitais", aponta o infectologista Marcos Boulos.

Após chegar ao Brasil e ter seu primeiro foco em São Paulo, a covid-19 se espalha rapidamente pelo País. Desde a última segunda-feira (11), o número de mortes registradas na região Norte cresceu 60%, e no Nordeste, 49%, proporcionalmente mais do que no Sudeste (39%).

Ainda segundo os dados do Ministério da Saúde, cerca de 69% das vítimas fatais de covid-19 têm mais de 60 anos. Neste recorte, mais de 3 mil pessoas tinham entre 40 e 59 anos, e 846 tinham 39 anos ou menos — incluindo 25 bebês de até um ano. Ainda há 2.277 óbitos em investigação.

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