Casal de idosos vence covid junto em hospital e tem alta no mesmo dia em AL
Vivendo juntos há mais de meio século, Arnaldo Vitor do Nascimento, 80, e Josefa Antero do Nascimento, 73, não poderiam imaginar que um dia iriam adoecer, entrar praticamente juntos em tratamento e ter alta no mesmo dia. Foi o que aconteceu com o casal, que na última segunda-feira (22) deixou o Hospital Maceió após duas semanas de internação por covid-19.
Dona Josefa sentiu-se mal e foi internada no último dia 7. Um dia depois foi a vez do marido, Arnaldo, que foi ao mesmo hospital, fez o teste de covid-19 e foi direto para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva).
A passagem de dona Josefa pela UTI durou oito dias, mas nesse período ela não soube que o marido estava também no local em estado grave. "Eu cheguei no domingo, ele chegou na segunda; e eu perguntava todo dia: 'cadê o Arnaldo?' Eu queria ver ele, a gente é muito unido. Diziam sempre que estava bem, mas nunca me disseram que ele estava lá", lembra dona Josefa, que só soube da internação quando Arnaldo chegou para "visitá-la" na enfermaria —aí, sim, eles ficaram juntos no mesmo quarto até a alta médica.
"Ficar junto no quarto, sair junto foi uma bênção. O médico mesmo dizia: 'ô coisa mais linda, nunca vi na minha vida duas pessoas ficarem em um quarto só e saírem de uma vez'", conta.
Dona Josefa diz que está se recuperando bem da doença, mas ainda com uma dor nas costas. "Perto do que estava, estou ótima."
Família apreensiva
A filha do casal, a auxiliar de escritório Maria Silvânia Sampaio, afirma que a internação conjunta deixou a família muito apreensiva. "A gente ficou muito nervoso, e na mesma época deles eu adoeci, a minha irmã também, mas nenhum dos dois casos foi grave", lembra.
Sampaio conta que Arnaldo e Josefa estão juntos há 55 anos e moram com uma sobrinha, no bairro do Feitosa, em Maceió. Eles são pais de seis filhos, cinco deles vivos.
A alegria por ver os dois novamente em casa emociona a família. "Desde que meu pai operou do coração, a gente aprendeu que UTI não é o último estágio da vida; ela é, na verdade, o melhor tratamento. Lá você está sendo bem tratado. A gente temia que eles pudessem ser intubados porque sem dúvida seria algo grave, difícil, mas graças a Deus não precisaram", diz.
Médicos temiam agravamento
Inicialmente, entretanto, os médicos do hospital temeram pelo agravamento de ambos, especialmente de Arnaldo. "Devido às comorbidades de hipertensão, cardiopatia e diabetes, o senhor Arnaldo tinha o prognóstico reservado", admite Simão Tavares, diretor médico do Hospital Maceió, que faz parte da rede de planos de saúde Hapvida.
O que mais incentivou Arnaldo a vencer a covid-19, diz o médico, foi a vontade de rever a esposa. "Quando o senhor Arnaldo melhorou o nível de consciência, a equipe sempre falava que a dona Josefa estava esperando por ele na enfermaria. Acho que isso deu mais força tanto para ele, quanto para a equipe do hospital. E mesmo com todos os fatores desfavoráveis, ele teve uma ótima recuperação", conta.
A saída do casal foi tão especial que, na segunda-feira, uma homenagem foi feita ao som de um saxofone tocado pelo próprio diretor médico do hospital. "Nesse momento é muito gratificante trazer algum conforto, não só da medicina, mas de outras coisas. E pude levar isso através da música, além da homenagem ao casal, para dentro do hospital: tanto para os profissionais que enfrentam essa pandemia, quanto para os outros pacientes que continuam internados."
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