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Coronavírus

Doria diz que Instituto Butantan não produzirá vacina da Rússia

João Doria (PSDB) disse que SP não vai produzir a vacina russa porque já está testando outra chinesa - ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
João Doria (PSDB) disse que SP não vai produzir a vacina russa porque já está testando outra chinesa Imagem: ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Do UOL, em São Paulo

11/08/2020 09h58Atualizada em 11/08/2020 11h54

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que o Instituto Butantan não vai produzir a vacina registrada hoje pelo governo da Rússia. De acordo com o político tucano, o estado já tem uma parceria com o laboratório chinês Sinovac para a produção da CoronaVac e não há motivo para trabalhar com uma segunda alternativa.

"A (vacina) russa não. Não sou capaz de avaliar se é boa ou não é, se tem o aval da Organização Mundial de Saúde [OMS]. Não quero fazer pré-avaliação. Pelo Butantan, não. Houve uma procura, mas foi respondido que já temos uma associação com o laboratório chinês Sinovac para a produção da CoronaVac. Não faria sentido algum ter uma segunda alternativa no mesmo Butantan, cujo objetivo é o mesmo", disse Doria à Rádio Bandeirantes.

Vacina russa registrada

A Rússia se tornou hoje o primeiro país a registrar oficialmente uma vacina contra o coronavírus e declará-la pronta para uso, apesar do ceticismo internacional. O presidente Vladimir Putin disse que uma de suas filhas já foi vacinada.

Putin ressaltou que a vacina passou pelos testes necessários e se mostrou eficaz, oferecendo imunidade duradoura ao coronavírus. No entanto, cientistas nacionais e internacionais têm alertado que a pressa em começar a usar a vacina antes dos testes da fase 3 — que normalmente duram meses e envolvem milhares de pessoas — pode ser um problema.

Para Júlio Croda, infectologista e pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), a vacina russa ainda é "muito arriscada" e não apresenta "nenhum dado de eficácia".

"É importante que a ciência tenha seu tempo de avaliação, principalmente no que diz respeito à eficácia. Essa vacina russa foi testada em 38 participantes, ela é constituída de adenovírus em duas doses, uma dose inicial e após 21 dias outra dose com outro tipo de adenovírus", disse Croda em entrevista à GloboNews.

"Então não existe nenhum dado de eficácia dessa vacina, é muito arriscado, é mais uma propaganda do governo russo no sentido de estar ofertando uma vacina que teoricamente não tem nenhum dado em relação à eficácia."

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