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Com 133 mil mortes em julho, Brasil tem 3º recorde mensal de óbitos seguido

Movimentação na rua General Carneiro, na cidade São Paulo, no período de isolamento social - FERNANDA LUZ/ESTADÃO CONTEÚDO
Movimentação na rua General Carneiro, na cidade São Paulo, no período de isolamento social Imagem: FERNANDA LUZ/ESTADÃO CONTEÚDO

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

20/08/2020 04h01

Em meio à pandemia de covid-19, o mês de julho bateu novo recorde histórico de mortes no país e alcançou a inédita marca de 133.620 óbitos, segundo dados informados hoje pela Arpen (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais). Uma em cada cinco destas mortes foram causadas pelo novo coronavírus.

Os registros de óbitos realizados pelos cartórios do Brasil durante o mês passado tiveram uma alta de 11,5% em relação a julho de 2019, quando foram computados 119.837 falecimentos.

Em relação ao mês anterior, junho de 2020, essa alta foi de 1,7% em comparação às 131.475 mortes registradas naquele mês.

Historicamente, ressalte-se, o mês de julho é o que registra o maior número de óbitos, segundo dados do Ministério da Saúde. Em 2018, por exemplo, foram 119.675 mortes, também sendo o maior entre os 12 meses do ano. Isso também se repetiu em praticamente todos os anos da última década.

O professor da UnB (Universidade de Brasília) e integrante do Serviço de Pneumologia do Hospital Universitário de Brasília, Ricardo Martins, explica que o número mais alto de mortes nos meses de julho ocorre pela maior circulação de vírus respiratórios no país.

São as doenças do inverno, aqueles quadros de gripe, de problemas por causas respiratórias. Isso começa por abril e chega a julho no pico. E já está bem demonstrado que problemas cardiovasculares são afetados por doenças virais respiratórias. Então acredito que esse aumento dessas doenças faça com que esse número fique ainda mais significativo nos meses de julho.
Ricardo Martins, professor e integrante do Serviço de Pneumologia do Hospital da UnB

Maio e junho já bateram recordes

Antes de julho, o país já havia registrado em 2020 uma sequência de recordes de mortes nos meses de maio e junho, que agora foram superados pelo resultado do mês passado.

Em julho, 119.990 óbitos (ou 89% do total) ocorreram por causas naturais —ou seja, não contam as causas externas como assassinatos, suicídios e acidentes.

Entre as mortes por causas naturais, praticamente a metade, 58.023, foram causadas por doenças respiratórias, o que inclui a covid-19.

A doença causada pelo novo coronavírus causou 27.744 óbitos no mês passado (20,7% do total). Isso quer dizer o dobro de mortes violentas e acidentais, quase três vezes mais que as causadas por pneumonia, ou quatro vezes o número de mortes por AVC (Acidente Vascular Cerebral) no mesmo período.

Diagnósticos tardios de covid

Muitas das mortes por causa respiratória não trazem a covid-19 como causa da morte por falta de exames que comprovem a infecção pelo vírus no momento do óbito. A confirmação, em muitos casos, ocorre após o registro da morte —o que pode resultar em subnotificação, já que dificilmente há correção da família no cartório onde houve o registro.

Os números de mortes registradas pela Arpen ainda podem subir devido a um eventual atraso no envio dos dados pelos cartórios. Em regra, esse prazo legal para que conste na plataforma deve ser de 15 dias, mas há casos de períodos maiores.

Segundo dados do consórcio de imprensa, o país registrou até ontem 110.019 mortes pela covid-19, segundo país do mundo em óbitos da doença —atrás apenas dos Estados Unidos.

Principais causas de mortes registradas em julho:

  • Covid-19 - 27.744
  • Causas externas - 13.630
  • Pneumonia - 10.920
  • Septicemia - 10.860
  • Acidente Vascular Cerebral (AVC) - 8.141
  • Infarto - 7.735
  • Insuficiência Respiratória - 6.317
  • SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) - 1.475

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