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Governadores querem decisão sobre plano de vacinação até 30 de novembro

Nova vacina Covid começa a ser testada em humanos na Austrália - Dado Ruvic/Reuters
Nova vacina Covid começa a ser testada em humanos na Austrália Imagem: Dado Ruvic/Reuters

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

27/10/2020 18h45

O Fórum de Governadores do Brasil protocolou hoje uma solicitação de audiência com o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, para tratar da vacinação contra a covid-19. O grupo também ressaltou o interesse em criar uma comissão técnica para elaborar a estratégia de vacinação do país até 30 de novembro.

Governador do Piauí e representante do grupo a protocolar a solicitação, Wellington Dias (PT) defendeu o uso da primeira vacina que ficar pronta e for aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). "Ali está contida a preocupação com todos os brasileiros em salvar vidas, em primeiro lugar. A primeira vacina que tiver autorização científica, é esta que devemos utilizar no Brasil", disse.

A declaração pode ser interpretada como uma defesa da CoronaVac, vacina feita em parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica chinesa Sinovac. Ela chegou a ser incluída no Plano Nacional de Imunização na terça-feira da semana passada, mas foi retirada menos de 24 horas depois porque o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem antipatia pela China e trata o incentivador da vacina, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), como traidor.

O pedido de uma reunião é mais um gesto dos governadores na defesa de que seja aberto diálogo com o governo federal para resolver o assunto. Eles também solicitaram audiências com os presidentes da Câmara dos Deputados, do Senado e os líderes da base do governo e da oposição.

A CoronaVac está na fase 3 dos testes, assim como a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, em parceria com o laboratório Astrazeneca. Neste estágio, são feitos testes massivos do imunizante. Nenhuma delas tem a eficácia comprovada nem autorização de uso pela Anvisa.

Reunião técnica

A reunião com o ministro da Saúde deverá contar com os governadores, um corpo técnico, uma equipe do Ministério da Saúde, representantes dos municípios e do Congresso Nacional.

"Manifestamos, em nome dos governadores, um compromisso com o diálogo e com o Plano Nacional de Estratégia para a vacinação aprovado no último dia 20 de outubro", declarou o governador do Piauí.

Os governadores não são os únicos a se articularem na tentativa de resolver a situação. Amanhã, está marcada uma reunião do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde). A entidade é considerada uma das mais importantes na formulação das políticas de saúde no país.

Doria e Maia - ETTORE CHIEREGUINI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO - ETTORE CHIEREGUINI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO
Doria e Rodrigo Maia posam com a CoronaVac
Imagem: ETTORE CHIEREGUINI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO

SP crê que CoronaVac entrará em plano de imunização

A decisão do presidente Bolsonaro em cancelar a promessa de seu ministro da Saúde de comprar 46 milhões de doses de CoronaVac gerou muitas críticas. Políticos e profissionais ligados a medicina reclamaram porque significa a possibilidade de abrir mão de uma pesquisa já avançada. Todos ressaltaram que ainda há muitas mortes diárias por causa da covid-19 no país —foram 549 óbitos nas últimas 24 horas.

Na sexta-feira passada (23), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), participou da coletiva de imprensa juntou com o governador de São Paulo. Ele defendeu a vacina do Butantan e pregou o entendimento. Doria ensaiou ir na mesma linha, mas disse a certa altura que Bolsonaro humilhou seu ministro da Saúde.

A situação é conturbada, mas, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, a avaliação é que o presidente fez um gesto para evitar críticas de olavistas e apoiadores mais ideológicos. A expectativa é que a CoronaVac seja incluída no Plano Nacional de Imunização.

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