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Coronavírus

Ministério da Saúde anuncia compra de 46 milhões de doses da CoronaVac

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Anaís Motta, Eduardo Militão e Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

20/10/2020 16h19Atualizada em 20/10/2020 21h34

O Ministério da Saúde anunciou hoje que o governo federal vai comprar 46 milhões de doses da CoronaVac, vacina contra o coronavírus desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac Life Science.

O UOL apurou que o custo será de R$ 2,6 bilhões, considerando-se a cotação do dólar de R$ 5,60 — cada dose sairá ao preço de US$ 10,30 (cerca de R$ 58). Para isso, o ministério anunciou que será editada uma nova MP (Medida Provisória) para disponibilizar crédito orçamentário de R$ 1,9 bilhão.

A vacina, segundo o ministro Eduardo Pazuello, será incluída no PNI (Plano Nacional de Imunizações). "Temos a expertise de todos os processos que envolvem esta logística, conquistada ao longo de 47 anos de PNI. As vacinas vão chegar aos brasileiros de todos os estados", disse o general que comanda a Saúde.

O anúncio foi feito durante reunião com 24 governadores na tarde de hoje, em um fórum virtual.

Os 46 milhões de doses devem ser entregues até dezembro de 2020, segundo o cronograma do Ministério da Saúde. Destas, 6 milhões serão produzidas na China e entregues em frascos unidose; os 40 milhões restantes, em frascos multidoses, ficarão a cargo do Instituto Butantan.

O cronograma indica ainda que mais 15 milhões de frascos multidoses serão distribuídos até fevereiro de 2021. Já em junho de 2021, a previsão é que se entregue outros 40 milhões de frascos multidoses, todos produzidos pelo Butantan.

Segundo o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), um dos participantes da reunião, Pazuello afirmou que o governo federal vai adquirir "todas as vacinas que estiverem disponíveis" para enfrentar a pandemia causada pelo novo coronavírus.

"Então, nós já poderemos ter vacinas a partir de janeiro", disse Casagrande. Ele afirmou ainda que o Ministério da Saúde vai coordenar as ações de distribuir as vacinas de forma igualitária entre as regiões do país. "Essa coordenação é fundamental entre os entes da federação para que a gente dê o mesmo tratamento a todos os brasileiros."

AstraZaneca terá produção a partir de abril

Além da CoronaVac, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) deve começar, a partir de abril, a produção própria da vacina da AstraZeneca, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford (Reino Unido), e disponibilizar ao país até 165 milhões de doses ao longo do segundo semestre de 2021.

Como a Butantan-Sinovac e a AstraZeneca-Oxford estão em etapas avançadas de produção — ambas em fase 3, a última do processo, quando são testadas em milhares de pessoas —, a previsão é que a vacinação comece em janeiro de 2021. Mas elas ainda devem ser liberadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e ter eficácia e segurança garantidas, como determina o Ministério da Saúde.

De acordo com a pasta, profissionais de saúde e grupos de risco deverão ser os primeiros a receber a vacina.

O Ministério da Saúde anunciou ainda que acompanha mais de 200 estudos referentes à produção das vacinas contra a covid-19 e não descarta novas compras, caso haja necessidade. A prioridade, segundo a pasta, é entregar à população brasileira, no menor tempo possível, "uma solução segura e eficaz para a doença".

São Paulo não dá previsão

Após anunciar que uma possível vacinação da população de São Paulo contra o coronavírus poderia começar neste ano, o governo de João Doria recuou ontem e adotou um tom mais cauteloso, dizendo que ainda não é possível precisar quando as doses estarão disponíveis.

"As perspectivas são otimistas, mas não podemos dar data precisa de quando isso vai acontecer. Esperamos que até o final desse ano", disse nesta segunda-feira (19) o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, durante entrevista no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Anteriormente, Doria havia afirmado que a CoronaVac poderia começar a ser aplicada em profissionais de saúde a partir de 15 de dezembro, caso fosse aprovada em todos os testes. O prefeito da capital paulista, Bruno Covas, no entanto, disse ao UOL que "não crê" nesse prazo.

Especialistas já vinham dizendo que dificilmente haveria alguma vacina pronta para aplicação este ano. A própria OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou que o Brasil não terá uma vacinação em massa contra o novo coronavírus nem no ano que vem. A entidade acredita que a população mundial terá de esperar até 2022 para a imunização.

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