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Conteúdo publicado há
11 meses

Anvisa não é parceira de ninguém e não se envolve em política, diz diretor

Antonio Barra Torres, presidente da Anvisa - Leopoldo Silva/Agência Senado
Antonio Barra Torres, presidente da Anvisa Imagem: Leopoldo Silva/Agência Senado

Afonso Ferreira, Allan Brito e Guilherme Mazieiro

Do UOL, em São Paulo e Brasília, e Colaboração para o UOL, em São Paulo

10/11/2020 14h28Atualizada em 10/11/2020 16h04

O diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, afirmou que o órgão "não é parceiro de ninguém", e não se envolve em discussões políticas.

Ele concedeu entrevista coletiva na tarde de hoje para comentar a suspensão dos testes com a CoronaVac, vacina contra o coronavírus em desenvolvimento pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac.

"A Anvisa não é parceira de ninguém. A imagem que coloco é a imagem do árbitro, do juiz. É aquele que pesa o que foi feito certo e emite juízo de valor. Nenhuma colocação no sentido de que estávamos juntos. Não estamos. Tomaremos decisões no dia que tiverem de ser tomadas", declarou.

Ao ser questionado por jornalista sobre uma possível influência política na decisão, Barra Torres afirmou que a polarização política do país deve ficar dos muros da Anvisa para fora. Mais cedo, pelas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse ontem que "ganhou" do governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

"Na questão das comemorações e manifestações de cunho político, não tecemos no passado, agora ou no futuro comentários sobre questões políticas. O que o cidadão não precisa é de Anvisa contaminada por guerra política. Ela existe, mas tem de ficar dos muros para fora. Não é razoável que pessoas da ciência passem a tecer comentários e análises. Não somos comentaristas políticos. Quem tem capacidade para isso que o faça", afirmou.

Suspensão irritou governo paulista

A suspensão dos testes causou irritação ao governo paulista, que patrocina os estudos com a CoronaVac. Após a suspensão, na noite de ontem, o governo de São Paulo emitiu nota em que, "através do Instituto Butantan, lamenta ter sido informado pela imprensa e não diretamente pela Anvisa, como normalmente ocorre em procedimentos clínicos desta natureza".

Barras rebateu a nota. "Ontem a Anvisa oficiou ao Instituto Butantan, temos horário que será mostrado. Depois que notificamos o desenvolvedor, uma nota foi colocada no nosso portal. E a imprensa tomou conhecimento. Não é razoável dizer que se tomou conhecimento pela imprensa. Se assim o foi, deixou-se de verificar documentação oficial enviada", disse Barras.

Durante a apresentação de motivos à imprensa, na tarde de hoje, a Anvisa informou que enviou uma "comunicação eletrônica" ao Butantan às 20h47 de ontem.

Decisão foi técnica, diz diretor

Barra Torres afirmou a decisão de suspender as pesquisas da CoronaVac foi técnica. Ele justificou que os documentos que relatam o evento adverso, enviados pelo Instituto Butantan, estavam "incompletos" e "insuficientes".

Segundo Torres, a decisão foi tomada por um órgão técnico da Anvisa, a GGMED (Gerência Geral de Medicamentos), sem passar pelo colegiado dos diretores.

"Diante de informações incompletas, a área técnica só tem uma decisão a tomar [de suspender a pesquisa]. Nos desenvolvimentos tem eventos adversos, como dor ou vermelhidão. E tem graves, que vão desde internação com risco, sequela e até mesmo ao óbito", afirmou.

Segundo apurou o UOL, a morte que causou a suspensão das pesquisas da CoronaVac foi o suicídio de um homem de 33 anos, voluntário na pesquisa, ocorrido em 29 de outubro. Barra Torres prestou solidariedade à família do voluntário.

Questionado por um jornalista se a Anvisa sabia dessa informação, Barra Torres respondeu que "não havia essa informação" entre os dados repassados ontem à agência.

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