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Mourão erra ao dizer que nenhum país comprou a CoronaVac

Hamilton Mourão ignorou que Indonésia e Turquia já compraram doses de CoronaVac - Francisco Stuckert/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Hamilton Mourão ignorou que Indonésia e Turquia já compraram doses de CoronaVac Imagem: Francisco Stuckert/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Colaboração para o UOL

14/12/2020 12h04

O General Hamilton Mourão (PRTB), vice-presidente do Brasil, errou hoje ao falar sobre a CoronaVac, vacina produzida pelo laboratório chinês SinoVac em parceria com o Instituto Butantan. Ele afirmou que ninguém, além do Governo de São Paulo, comprou esse imunizante, que ainda não tem aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Mas duas nações já fizeram essa aquisição.

"Quem comprou a Coronavac? Nenhum país comprou. Estão comprando outras, Pfizer e outras. Então vamos aguardar. Também estou angustiado, quero ser vacinado, mas vamos aguardar", afirmou Mourão, em entrevista na manhã de hoje, em Brasília.

A CoronaVac tem sido pivô de polêmicas desde que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, em outubro, que não pretendia comprá-la. Já o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), adquiriu 6 milhões de doses prontas e iniciou produção própria, com insumos que vieram da China.

Além do Brasil, a Indonésia e a Turquia também começaram a receber as primeiras doses da CoronaVac neste mês e planejam início da vacinação entre dezembro e janeiro - como aqui, estão condicionados às aprovações das agências reguladoras. Além deles, o Chile iniciou testes da vacina, mas não estabeleceu contrato de compra. E segundo o Governo de São Paulo, já houve consultas de outros países, como a Argentina, ao Instituto Butantan.

Questionado se o governo compraria a vacina CoronaVac, Mourão despistou e não foi específico. "Vamos comprar de acordo com produção. Vai se comprar tudo que tiver e, na minha visão, vai levar um ano vacinando. Já vi estudos que seriam 2 anos para tudo ser controlado".

Certificação de agências

Mourão criticou a politização da discussão sobre a vacina. Mas ao falar sobre isso, disse que nenhuma agência internacional deu certificação para qualquer imunizante, o que pode ser um erro.

"Está uma discussão mais uma vez muito polarizada. Mas as principais agências certificadoras não deram certificação para nenhum país", afirmou Mourão.

O vice-presidente não deixou claro se estava se referindo a registros definitivos ou emergenciais. Por enquanto todas autorizações emitidas, como nos Estados Unidos e no Reino Unido, foram feitas de forma emergencial.

O governo federal do Brasil está pressionado para apresentar uma data de início da vacinação. Ontem o STF (Supremo Tribunal Federal) até determinou que o Ministério da Saúde apresente uma estimativa em 48 horas. Mourão opinou sobre como isso deveria ser feito.

"A data é o 'Dia D'. Vamos fazer um exercício mental. Temos que colocar vacina e seringa em todo território nacional. Tem que ter pessoas especializadas distribuídas bonitinho em todo território. Você tem esse 'Dia D' e tem que dizer quanto tempo precisa pra colocar esse material todo em condições. Precisa de 15 dias? Então vai ser 'Dia D' mais 15 dias", analisou Mourão.

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