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Conteúdo publicado há
10 meses

Japão diz ter encontrado nova variante em viajantes que estiveram no Brasil

Do UOL, em São Paulo*

10/01/2021 12h46Atualizada em 10/01/2021 17h35

O Ministério da Saúde do Japão notificou o Brasil sobre uma nova variante do coronavírus detectada em quatro pessoas provenientes do estado do Amazonas. Eles chegaram a Tóquio pelo aeroporto Haneda, no dia 2 de janeiro, e tiveram teste positivo durante a quarentena imposta a viajantes. Ainda não há uma confirmação oficial sobre a nacionalidade dos infectados, embora agências tenham noticiado que se trata de brasileiros.

Dos quatro viajantes, um homem na faixa dos 40 anos de idade apresentou problemas respiratórios, uma mulher de cerca de 30 anos relatou dor de cabeça e garganta e um adolescente teve febre. Segundo o governo do Japão, a outra infectada, uma adolescente, não apresentou sintomas.

Em nota, o Ministério da Saúde do Brasil disse que foi notificado pelas autoridades japonesas sobre uma variante com 12 mutações encontradas em passageiros que passaram uma temporada no Amazonas. Uma das mutações, segundo o ministério, é a mesma encontrada em variantes já identificadas no Reino Unido e na África do Sul, que tem maior potencial de transmissão. (veja abaixo a nota na íntegra).

Porém, de acordo com autoridades japonesas, não há evidências de que esta variante é mais infecciosa e estudos estão em andamento para determinar a eficácia das vacinas já desenvolvidas contra novas cepas.

"Até o momento, não há indícios que mostram que essa nova variante encontrada é altamente infecciosa", disse Takaji Wakita, chefe do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas do Japão.

Após o crescimento no número de novos casos de coronavírus, o Japão declarou estado de emergência em Tóquio e cidades ao redor da capital nesta quinta-feira, 7. O país já soma quase 290 mil casos de covid-19, com 4.061 óbitos em decorrência da doença.

Já o Amazonas, de onde os viajantes partiram, enfrenta nova explosão do número de infectados e mortos pelo coronavírus. O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), decretou estado de emergência na cidade pelo período de 180 dias para tentar conter o avanço da pandemia. O governo estadual também decretou estado de calamidade pública pelos próximos seis meses.

Medidas de precaução

Na nota, o Ministério da Saúde brasileiro ainda disse que tomou as seguintes medidas de precaução diante da notificação do Japão:

  • solicitou informações sobre a nacionalidade dos viajantes e locais de deslocamento no Brasil para rastreamento de potenciais contatos.
  • fez uma comunicação de alerta para toda a rede Cievs (Centro de Informações Estratégicas e Resposta de Vigilância em Saúde) do país
  • orientou, por meio de nota técnica, a rede de saúde sobre o diagnóstico molecular de variantes do SARS-CoV-2
  • informou que Instituto Evandro Chagas está preparado para o recebimento de amostras para sequenciamento da variante

Outras variantes

As variantes do coronavírus originárias do Reino Unido e da África do Sul compartilham uma mutação comum chamada N501Y, uma leve alteração na proteína spike que envolve o vírus. Acredita-se que essa mudança é a razão pela qual eles se disseminam tão rapidamente. A variante já foi detectada em São Paulo, em dezembro. A maior parte das vacinas sendo lançadas no mundo treina o corpo para reconhecer essa proteína e combatê-la.

Nesta semana, a farmacêutica Pfizer divulgou os resultados de um estudo que mostrou a eficácia da vacina da empresa contra 16 novas variantes. No entanto, a pesquisa ainda precisa incluir outras mutações. Na África do Sul, por exemplo, a variante tem uma mutação adicional, chamada E484K, já identificada em amostras no Rio de Janeiro e Bahia. A A E484K não estava entre as testadas na pesquisa. A farmacêutica diz que ela é a próxima da lista.

O caso registrado na Bahia é de uma profissional de saúde que foi reinfectada pelo coronavírus em outubro. Ela não tinha histórico de viagem à África do Sul e também revelou aos pesquisadores não saber se alguém com quem teve contato esteve no país.

Veja a nota na íntegra do Ministério da Saúde:

O Ministério da Saúde informa que no último sábado (09/01), foi notificado, por meio do Centro de Informações Estratégicas e Resposta de Vigilância em Saúde (Cievs), sobre a identificação pelo Ministério da Saúde do Japão de uma nova cepa variante do vírus SARS-CoV-2 em quatro viajantes que chegaram a Tóquio vindos do Brasil.

Os passageiros desembarcaram na capital japonesa no último dia 02 de janeiro, após uma temporada no Amazonas, desenvolveram sintomas leves e cumprem quarentena no aeroporto de Tóquio.

Segundo informações fornecidas ao Ministério da Saúde pelas autoridades sanitárias japonesas, a nova variante possui 12 mutações, sendo que uma delas é a mesma encontrada em variantes já identificadas no Reino Unido e na África do Sul, o que implica em maior potencial de transmissão do vírus.

Não há, no entanto, nenhuma evidência científica que aponte impacto na efetividade do diagnóstico laboratorial ou das vacinas em estudo atualmente contra a Covid-19.

O Ministério da Saúde reforça que já tomou as devidas medidas de precaução, tais como comunicação de alerta para toda a rede Cievs do país; solicitação ao Ministério da Saúde do Japão de informação sobre a nacionalidade dos viajantes e locais de deslocamento no Brasil para rastreamento de potenciais contatos; e orientação, por meio de nota técnica, do diagnóstico molecular de variantes do SARS-CoV-2 à rede de saúde. O Instituto Evandro Chagas está preparado para o recebimento de amostras para sequenciamento da variante.

A pasta recomenda, ainda, que as autoridades estaduais, municipais e Distrito Federal continuem a fortalecer as atividades de controle e investigação do coronavírus a fim de rastrear contatos em todos os casos da doença, e a ampliar o sequenciamento de rotina do vírus para identificação, tão cedo quanto possível, de novas variantes em circulação no país. O Ministério da Saúde, em parceria com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS), segue monitorando o caso.

*Com informações da agência Reuters e Estadão Conteúdo.

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