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Coronavírus

Sem acordo, avião que buscaria vacinas na Índia vai levar oxigênio a Manaus

Avião da Azul que iria à Índia buscar vacinas recebeu adesivo da campanha de vacinação no Brasil - Divulgação
Avião da Azul que iria à Índia buscar vacinas recebeu adesivo da campanha de vacinação no Brasil Imagem: Divulgação

Guilherme Castellar

Colaboração para o UOL, do Rio

15/01/2021 22h50Atualizada em 15/01/2021 23h16

Após passar o dia em terra no Aeroporto dos Guararapes, no Recife, sem previsão de decolagem, o avião da Azul preparado para voar hoje à Índia para buscar a encomenda de 2 milhões de doses da vacina da AstraZeneca/Oxford retornou hoje à noite a Campinas, em São Paulo, com uma nova missão: levar cilindros de oxigênio para Manaus.

Com a indefinição de questões diplomáticas entre Brasil e Índia para importação do imunizante, a companhia aérea informou que, a pedido do Ministério da Saúde, a aeronave que iria a Mumbai, na Índia, ajudará a abastecer os hospitais da capital amazonense.

"O voo será feito pela mesma aeronave que partiria hoje para Mumbai, na Índia, uma vez que a missão terá seu início reprogramado enquanto às questões diplomáticas entre os dois países são resolvidas e as doses da vacina Astrazeneca/Oxford possam ser trazidas ao Brasil", informou a Azul em nota.

O Airbus A330neo da companhia segue na noite de hoje para Campinas, de onde deverá partir neste sábado (16) com o carregamento dos cilindros de oxigênio para Manaus.

A data de retorno ao Brasil, com a carga de vacinas estimada em 15 toneladas, ainda está sendo avaliada de acordo com o andamento dos trâmites da operação de logística feita pelo governo federal em parceria com a Azul."
Ministério da Saúde, em nota

Anteriormente, a expectativa era de que o voo partisse do Recife no mesmo horário de sexta, às 23h, mas com destino a Mumbai. Mas declaração do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Índia, Anurag Srivastava, na quinta-feira (14), deu a entender que a previsão do voo estava muito adiantada. O porta-voz disse que era "muito cedo" para confirmar a data de envio das doses compradas pelo Brasil.

Como você deve saber o processo de vacinação está apenas começando na Índia, é muito cedo para dar uma resposta específica sobre o fornecimento a outros países, sobre como ainda estamos avaliando a produção que devemos usar e a entrega. Isso deve demorar algum tempo."
Anurag Srivastava, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Índia

Ciente do cenário, o presidente Bolsonaro admitiu, no final da tarde em entrevista ao apresentador a José Luiz Datena, no Brasil Urgente, que a operação deve atrasar "dois ou três dias, no máximo".

Foi tudo acertado para disponibilizar 2 milhões de doses [da vacina Oxford/AstraZeneca]. Só que hoje, neste exato momento, está começando a vacinação na Índia, um país de 1,3 bilhão de habitantes. Então resolveu-se aí, e não foi decisão nossa, atrasar um ou dois dias até que o povo comece a ser vacinado lá, porque lá também tem pressões políticas de um lado e de outro. Isso daí, no meu entender, daqui dois, três dias no máximo nosso avião vai partir e vai trazer essas 2 milhões de vacinas para cá."
Jair Bolsonaro

O fracasso das tratativas diplomáticas com a Índia — na sexta, o próprio ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, se empenhou para garantir a decolagem da aeronave — frustra o plano do governo federal de iniciar a vacinação no Brasil na quarta (20) ou quinta-feira (21), antes, assim, da data anunciada pelo governo de São Paulo para início da imunização no Estado.

Pelo cronograma, o avião estaria de volta ao Brasil no domingo (17) com o primeiro lote da vacina da AstraZeneca. E, na terça-feira (19), Bolsonaro anunciaria o início do plano de imunização contra covid-19 no Brasil.

CoronaVac

Sem previsão para a chegada do imunizante da Oxford/AstraZeneca, o Brasil conta no momento apenas com as 10,8 milhões de doses da CoronaVac, desenvolvida pela chinesa Sinovac e pelo Instituto Butantan. Parte dessas doses ainda estão em processo de envasamento nos frascos e rotulação. O governo paulista disse na sexta-feira que vai repassar 4,5 milhões de doses da CoronaVac ao governo federal.

Dessa maneira, 1,5 milhão de doses devem permanecer no estado para a vacinação local. Em entrevista coletiva realizada hoje no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) afirmou que "não faz sentido" o estado entregar todas as 6 milhões de doses que estão prontas para depois receber de volta do governo federal pela campanha nacional de vacinação contra a covid-19.

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