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Conteúdo publicado há
1 mês

Hospitais de Belém terão de notificar casos vindos de AM e outros 4 estados

Luciana Cavalcante

Colaboração para o UOL, em Belém

17/01/2021 22h06

A Vigilância Sanitária emitiu um alerta a hospitais públicos e privados de Belém determinando a notificação imediata de casos suspeitos ou confirmados de covid-19 em pacientes vindos do Amazonas e de mais quatro estados. A medida é preventiva, para ajudar no rastreamento de possíveis casos da nova cepa na capital paraense, após ela ser detectada no estado vizinho.

Além do Amazonas, os hospitais devem comunicar casos oriundos de Bahia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

"Tivemos que emitir esse alerta devido à chegada de várias pessoas de Manaus, que deram entrada através do Sistema Único de Saúde [SUS] e estão em Belém. Essas pessoas podem estar com a nova variante do coronavírus, que deve estar circulando na capital", explicou Claudio Guedes Salgado, diretor do Departamento de Vigilância em Saúde de Belém.

"Nós precisamos agora entender qual é a cepa que está circulando em Belém e fazer, eventualmente, o bloqueio dela. Queremos diminuir a chance de essa nova variante circular na capital, através da identificação desses casos", completou Salgado.

A Vigilância Sanitária não informou quantos pacientes vieram do Amazonas nem quando chegaram.

O governo do Amazonas informou, por meio de nota, que ainda não transferiu pacientes para o Pará, após o oferecimento de 40 leitos pelo governo paraense. A data da transferência ainda será definida.

Procura por atendimento aumenta

Nas unidades de urgência e emergência, cresce a procura por atendimento, reflexo das aglomerações das festas de final do ano, segundo os especialistas. A capital paraense registrou até agora 61.273 casos, com 2.491 mortos. No estado, esse número é de 309.816 casos e 7.412 óbitos.

Já a taxa de ocupação dos leitos no município é de 50% para UTI e 36% para clínicos. No estado esse número é de 68,75% para UTI e 46,8% para clínico.

Médicos que trabalham na linha de frente do combate à covid-19 relatam o aumento na procura por atendimento. "A demanda é muito grande. Em uma tarde, já cheguei a atender até 40 pessoas, e a queixa básica é essa, 98% com suspeita de covid-19", disse o infectologista Alessandre Beltrão.

Segundo ele, o aumento começou a ser percebido nos primeiros dias do ano. "Especialmente na última semana, resultado do desconfinamento, das aglomerações que aconteceram com as festas do final do ano, por pessoas que não entendem a gravidade da situação. Se entendem, não conseguem colocar em prática um plano consciente de prevenção para proteger as pessoas mais vulneráveis, como os familiares", avalia Beltrão.

Ele explica que o vírus está duas semanas à frente, o que significa que os casos que começam a aparecer agora são de contaminações ocorridas no final do ano.

Jovens procuram emergência

Alessandre diz ainda que a faixa etária que mais procura a emergência é de adultos entre 20 e 40 anos. "Essas são as pessoas que estão circulando. O que mais ouço no hospital é: não posso estar com covid porque vivo com minha mãe e meu pai. Questiono por que a pessoa não pensou nisso antes, para ter uma conduta mais efetiva e evitar a contaminação", afirmou.

O médico alerta para a necessidade de manter os cuidados básicos preventivos, com uso de máscara, higiene das mãos com água e sabão ou álcool em gel e distanciamento social para evitar a disseminação do vírus.

"Senão, infelizmente vamos continuar vendo mais de 1.000 pessoas perdendo a batalha, perdendo a sua história de vida, por dia, no Brasil. No ano passado, não conseguíamos imaginar isso acontecendo no Brasil, e hoje é uma realidade. Espero que as pessoas não naturalizem isso e que se preocupem, para que muitas famílias não fiquem enlutadas".

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