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Coronavírus

Apesar de lockdown, AM tem média de 550 pessoas esperando leito hospitalar

Movimentação na frente do Hospital e pronto-socorro 28 de Agosto, em Manaus - Sandro Pereira/Estadão Conteúdo - 14 jan. 2021
Movimentação na frente do Hospital e pronto-socorro 28 de Agosto, em Manaus Imagem: Sandro Pereira/Estadão Conteúdo - 14 jan. 2021

Rosiene Carvalho

Colaboração para o UOL, em Manaus

05/02/2021 11h21

Colapsada há um mês, a saúde pública no estado do Amazonas registra há duas semanas uma média diária de 557 pessoas à espera de um leito hospitalar. No mesmo período, a média diária de pacientes aguardando em estado grave uma vaga em UTI (unidade de terapia intensiva) é de 112 doentes.

Na quinta-feira (4), havia 528 pessoas aguardando por leito em todo o estado, sendo que, destas, 154 precisavam ser transferidas para UTIs, a maior fila já registrada pela Fundação de Vigilância em Saúde desde a explosão de casos de covid-19 em janeiro.

A lista geral de espera já foi maior. No dia 28 de janeiro, havia 617 pessoas aguardando por leito em todo estado governado por Wilson Lima (PSC).

A falta de oxigênio, dentro da demanda que a rede hospitalar precisa, agrava a tragédia no Amazonas. Há um mês os hospitais públicos e particulares não dão conta de atender a todos os pacientes que precisam de hospitalização clínica e de UTIs.

O Amazonas tem, há semanas, a capacidade de abrir cerca de 350 leitos em quatro unidades que já atendem casos de covid-19. A abertura destes leitos já foi planejada e prometida pelos governos estadual e federal em alguns pronunciamentos e entrevistas coletivas.

No entanto, o estado passou duas semanas manobrando alternativas logísticas e abrindo mão de ajuda internacional para manter o oxigênio nos leitos que já estão em funcionamento.

Lockdown e transferência não zeraram espera por leitos

A lista de espera por leito se manteve alta mesmo após um decreto de lockdown, em vigor desde o dia 23 de janeiro, e as transferências de pacientes do Amazonas para outros estados.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, entre os dias 15 de janeiro e 4 de fevereiro, ocorreram 472 remoções de pacientes com necessidades de internação clínica. A média de mais de 500 pessoas na fila de espera é registrada justamente dentro do período que iniciaram essas transferências.

Do total de remoções de pacientes, 154 receberam alta hospitalar e 28 morreram fora do estado.

Nesta quinta-feira, o secretário de Saúde, Marcellus Campelo, declarou que o maior esforço para salvar vidas hoje continua sendo abrir leitos de UTI. Segundo o secretário, na última reunião com a empresa White Martins, houve uma sinalização de melhora na capacidade de fornecimento de oxigênio, o que permitirá que novos leitos sejam colocados em funcionamento a partir deste final de semana. A previsão é de 83 novos leitos.

"A pressão maior é nos SPAS [Serviço de Pronto Atendimento] e UPAS [Unidades de Pronto Atendimento] da cidade, que são portas de entrada para internação. Há uma ocupação [nestas unidades] de 122% dos leitos clínicos e 166% nas salas vermelhas [salas de estabilização com internações semi-intensivas]", disse Campelo.

A funcionária de uma UPA em Manaus, que pediu para não ser identificada, disse que esta semana foi preciso recusar atendimento a pacientes em função da falta de leitos e de servidores para dar conta do trabalho.

A medida tem sido recorrente em janeiro. A unidade que ela atua tinha cerca de 20 leitos e, na quarta-feira, tinha 44 internados. O número de internos já chegou a mais de 50, segundo esta funcionária.

Ela conta que, mesmo sem a menor condição, alguns casos acabam sendo atendidos em função do total desespero dos familiares. "Não é que a gente não queira atender. É que não temos mais como. Temos pacientes para dar medicamentos, alguns intubados. E chega uma pessoa passando mal na porta e não tem como escolher entre um e outro. Há funcionários doentes que não são substituídos. Estamos todos exaustos", contou.

No dia em que ficaram sem oxigênio, o colapso do sistema ganhou contornos de terror. Segundo esta técnica da Saúde, havia desespero e angústia no rosto de cada um dos funcionários da UPA.

Uma das enfermeiras, relata a funcionária à reportagem do UOL, se sentou no chão próximo de cilindros vazios e começou a orar pedindo a Deus a reposição. "Acho que depois disso precisaremos de atendimento psicológico". disse.

O Amazonas, segundo o governador Wilson Lima, embora não esteja baixando o número de casos de forma acelerada começou a apresentar "estabilidade". A taxa de ocupação de leitos nesta quinta-feira (4), ainda era muito alta. A de UTI covid-19: 91,67%. Já a de leitos clínicos era 94,78%. O interior do estado, onde vive metade da população, não tem leito de UTI.

A média de sepultamentos em Manaus, embora muito acima do quadro de normalidade, apresentou diminuições nas últimas semanas. Na semana em curso há uma média de 149 enterros por dia. Na anterior, foi de 158 sepultamentos. Antes da pandemia, a média diária era de 30 enterros por dia.

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