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Mandetta: Presidente ia para aglomeração e eu tinha de dizer que era errado

8.abr.2020 - O presidente Jair Bolsonaro ao lado do então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante evento em Brasília - ADRIANO MACHADO
8.abr.2020 - O presidente Jair Bolsonaro ao lado do então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante evento em Brasília Imagem: ADRIANO MACHADO

Do UOL, em São Paulo

26/02/2021 10h01Atualizada em 26/02/2021 11h33

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) afirmou que o comportamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atrapalhou a comunicação do Ministério da Saúde sobre a gravidade da pandemia do coronavírus durante o período em que esteve no comando da pasta.

"Onde a gente via o problema? No comportamento. Ele [Bolsonaro] ia para aglomeração e eu não ia, e eu tinha de dizer para sociedade que isso não era certo", declarou Mandetta em entrevista à GoloboNews na manhã de hoje, dia em que o Brasil completa um ano desde a confirmação do primeiro caso de covid-19.

No início da pandemia, Bolsonaro participou de manifestações ao lado de apoiadores em Brasília. Sem máscara, cumprimentou pessoas e tirou fotos.

De acordo com Mandetta, esse comportamento do presidente atuou contra as recomendações do Ministério da Saúde, que à época dizia para as pessoas ficarem em casa e evitarem aglomerações.

"Havia um comportamento frontalmente contra. Chegou ao momento em que eu tive de fazer um documento por escrito dizendo o que ele tinha de fazer. Fizemos uma previsão de um cenário otimista e um pessimista, e disse que por esse caminho que estava seguindo íamos para o pessimista", disse.

Segundo o ex-ministro, a previsão com o impacto da pandemia ia até dezembro do ano passado e o que se observou foi um cenário bem próximo do que foi projeto por sua equipe.

Mandetta deixou o comando do Ministério da Saúde em abril do ano passado, após embates com Bolsonaro e por se recusar a assinar um protocolo recomendando o uso de cloroquina para o tratamento da covid-19. Estudos afirmam que o medicamento não tem eficácia contra o coronavírus e podem até causar outros problemas de saúde.

Falta de campanha nacional

Questionado se houve resistência do governo federal a uma campanha nacional sobre a prevenção da covid-19, Mandetta disse que sim e que esse era o motivo pelo qual o Ministério da Saúde concedia entrevistas coletivas diariamente à imprensa.

"A razão das coletivas era para suprir falta de padrão de informações do que o governo iria fazer. O pessoal da comunicação pensava numa coisa muito ufanista, naquela coisa verde e amarela, de que vamos vencer o vírus. Do ponto de vista de saúde, queríamos alertar que tínhamos uma doença séria e que quem tivesse condições, ficasse em casa", declarou.

De acordo com o ex-ministro, a estratégia do ministério era tentar criar uma consciência coletiva de que era necessário adotar medidas de distanciamento para evitar a proliferação do vírus, porém o governo não tinha consciência de que precisava ser protagonista naquele momento.

"As coletivas eram muito importantes para que as pessoas soubessem que tinham de proteger seu núcleo familiar", afirmou.

Mandeta afirmou ainda que a falta de uma campanha nacional de prevenção e de união com estados e municípios colaboraram para que covid-19 ganhasse proporção no país. Ontem, o Brasil registrou o maior número de mortes diárias desde o início da pandemia.

"Sabíamos que teríamos um inimigo muito forte e que nossa caminhada era proporcional à unidade nacional. Como não conseguimos essa unidade, tivemos efeito cascata e muitas ações jogaram a favor do vírus", disse.

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