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Saúde

Apesar de sinalizar, João Doria não anuncia mais restrições para SP

Lucas Borges Teixeira, Rafael Bragança e Allan Brito

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL, em São Paulo

17/03/2021 14h19

Apesar de ter avisado que poderia adotar estreitas medidas em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) não anunciou novas restrições para o estado. Em coletiva nesta quarta (17), o governo instituiu medidas econômicas e adiantamento de vacina. A decisão se deu após reunião com o Centro de Contingência.

Doria havia dito, em entrevista nesta manhã, que a situação do estado era "gravíssima" e que São Paulo iria "adotar novas medidas". O Centro de Contingência preferiu, no entanto, aguardar os resultados das últimas medidas e, até então, as regras da fase emergencial do Plano SP se mantêm.

"Quem pauta decisões do governo não é imprensa. É o centro de contingência", afirmou Doria, quando questionado na coletiva. "Tudo que o Centro de Contingência recomendar, nós adotaremos. Se recomendar medidas mais duras, adotaremos."

A expectativa por novas medidas foi criada pelo próprio governador quando participou do envio de 2 milhões de doses da CoronaVac ao Ministério da Saúde nesta manhã. "Estamos diante de um quadro gravíssimo em São Paulo e no Brasil. E São Paulo adotará novas medidas, a partir da decisão do Centro de Contingência", disse o governador.

"Eu disse que eventualmente essas medidas seriam adotadas. Nem cabe a mim fazer esse tipo de anúncio. Apenas reconheci que o estado vive uma situação grave, assim como todo o país", afirmou Doria, na coletiva.

Nos anúncios feitos, o governo adiantou a vacinação de idosos de 72 a 74 anos para a próxima sexta-feira (19) e um pacote de auxílio econômico aos setores mais afetados pela pandemia que inclui crédito de mais R$ 100 milhões e redução do ICMS para leite e carne.

'Precisamos aguardar os resultados'

No Centro de Contingência, a avaliação é que é preciso ainda aguardar o impacto da fase emergencial, iniciada na última segunda (15). A expectativa dos médicos é que os números comecem a apresentar resultados em uma semana.

Os dados apresentados estão mostrando que estamos conseguindo aumentar distanciamento físico das pessoas, que é o ponto mais importante para reduzir transmissibilidade. Mas precisamos aguardar resultados dessas medidas que já estão tendo efeito. Esse efeito só vai refletir em diminuição de casos e óbitos em um determinado tempo. Senão, a cada dia vamos propor medida e não vamos aguardar resultados.
João Gabbardo, coordenador-executivo do Centro de Contingência

"O Plano São Paulo tem lógica", continuou Gabbardo. "Estamos fazendo acompanhamento e agora precisamos aguardar os próximos dias. Não temos certeza de que, no fim desse prazo [dia 30], poderemos sair [da fase emergencial]. É possível que algumas regiões precisem permanecer, mas isso tem que ser observado com tempo publicado nos atos."

Novas medidas poderão ser adotadas

Como tem feito desde o início de março, Doria não descartou, no entanto, que medidas restritivas mais duras sejam adotadas. "O que [a área da Saúde] recomendar, nós adotaremos", prometeu o governador.

Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contingência, confirmou que o grupo segue discutindo possíveis medidas. "Estamos acompanhando e discutindo se haver necessidade de outras medidas, quais seriam. Temos visto em diversas regiões medidas inócuas, é preciso que tenhamos medidas efetivas", argumentou.

Estamos no terceiro dia [de fase emergencial] e, infelizmente, os números que vemos hoje são consequentes à transmissão do vírus que ocorreu há algum tempo e não dependeram das medidas dos últimos dias. Não temos mais indicador que vai ser diferente do que a gente já usa. Temos taxa de ocupação preocupante. Trabalho da Secretaria tem permitido que esteja em 90% e não em 105% como visto em outros estados.
Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contingência

"Estamos observando o impacto e, se for necessário novas medidas, o governador vai decidir pela implementação dessas medidas", concluiu Menezes.

'É outra pandemia, outro vírus'

Na coletiva, o secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn, avliou ainda que o estado vive uma nova realidade em comparação com a primeira onda da pandemia de covid-19, que teve seu pico em julho do ano passado.

Diante do estado com 89,9% dos seus leitos de UTIs ocupados, o infectologista lembrou que a segunda onda tem se apresentado muito pior, o que é agravado pela circulação de novas variantes do coronavírus.

É outra pandemia, outro vírus, mas nossa população está cansada. Aí é o grande problema. Quando a população baixa guarda, maior a chance de mais pessoas ficarem doentes, precisarem de UTI e também morrerem.
Jean Gorinchteyn, secretário de Saúde de São Paulo

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