PUBLICIDADE
Topo

Coronavírus

Conteúdo publicado há
10 meses

'É outra pandemia, outro vírus', diz secretário ao citar UTIs com 90% em SP

Apesar da preocupação com a situação atual, Jean Gorinchteyn admitiu que a "população está cansada" - Sergio Andrade/Governo do Estado de São Paulo
Apesar da preocupação com a situação atual, Jean Gorinchteyn admitiu que a "população está cansada" Imagem: Sergio Andrade/Governo do Estado de São Paulo

Lucas Borges Teixeira, Rafael Bragança e Allan Brito

Do UOL e colaboração para o UOL, em São Paulo

17/03/2021 13h51

O secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, disse hoje que o estado vive uma outra realidade em comparação com a primeira onda da pandemia de covid-19, que teve seu pico em julho do ano passado. Diante do estado com 89,9% dos seus leitos de UTIs ocupados, Gorinchteyn lembrou que a segunda onda tem se apresentado muito pior, o que é agravado pela circulação de novas variantes do coronavírus.

"Se formos olhar pacientes internados no pico de julho, tínhamos 6.250. Tivemos incremento de 72%", afirmou o secretário durante entrevista coletiva sobre a doença, citando também que a ocupação de leitos de terapia intensiva já registra 90,6% na Grande São Paulo.

É outra pandemia, outro vírus, mas nossa população está cansada. Aí é o grande problema. Quando a população baixa guarda, maior a chance de mais pessoas ficarem doentes, precisarem de UTI e também morrerem.
Jean Gorinchteyn, secretário de Saúde de São Paulo

Ontem o estado registrou um novo recorde de mortes diárias causadas pela covid-19, com 679 óbitos registradas em 24 horas. Atualmente, São Paulo tem 10.756 pessoas em UTIs se recuperando da doença, e outras 14.236 internadas em enfermarias.

A fila de espera para leitos de terapia intensiva já chega a uma média de 1.400 pacientes por dia no estado, com várias unidades de saúde que chegaram ao colapso, com 100% de ocupação dos leitos de UTI para a covid-19.

'Situação dramática'

O coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, Paulo Menezes, disse que os efeitos positivos do início da fase emergencial ainda vão demorar para serem sentidos. Desde anteontem (15), apenas algumas atividades essenciais podem funcionar no estado, mas ainda assim com restrições. Para Menezes, a situação é "dramática".

A cada dia que vejo os números, fico mais triste. É indescritível que a gente esteja perdendo tantas vidas, batendo recordes. Acho importante colocar que hoje número de óbitos foi um pouco menor que ontem. Mas número de casos novamente bateu recorde, com quase 18 mil casos novos notificados ontem. A situação é dramática.
Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contingência

"É preciso que todos colaborem. Quero agradecer grande parte da população que está compreendendo o momento e colaborando, ficando em casa. Os indicadores mostram avanço. O indicador de isolamento social apresentou alguma melhora", acrescentou Menezes.

Apesar da melhora, o isolamento segue muito abaixo dos 50% pretendidos pelo governo paulista para frear significativamente a contaminação no estado. Ontem, essa taxa foi de 44%, um aumento de apenas 1% em relação à terça-feira (9) da semana passada.

Atenção com oxigênio

Diante do aumento significativo do número de internados por covid-19 nas últimas semanas — hoje, São Paulo tem 24.992 pacientes nessa situação —, a possível falta de abastecimento de oxigênio hospitalar começou a ser uma questão no estado. Gorinchteyn admitiu que o tema tem "trazido bastante atenção" à gestão paulista, mas afirmou que não haverá falta de insumo.

"Esse impacto da oxigenação tem nos trazido bastante atenção. Na semana passada fizemos um inquérito com distribuidores e nos deixaram tranquilos que redes estaduais estão sem problema. Temos grande escala para atender. Temos percebido que prefeituras têm problemas com contratos com distribuidoras", explicou o secretário.

Apesar de Doria também afirmar que não faltará oxigênio no estado, Gorinchteyn antecipou que fará uma reunião ainda hoje para tratar do tema junto a empresas que fornecem diretamente a prefeituras de São Paulo.

"Localidades muito pequenas não têm um grande botijão para ser colocado o oxigênio, dependem do cilindro, então tem atraso. Não podemos deixar que isso aconteça", afirmou o secretário.

Coronavírus