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Deputado diz que compra paralela de vacinas abastece 'camarote clandestino'

Alexandre Padilha, deputado federal e ex-ministro da Saúde - Arquivo Pessoal
Alexandre Padilha, deputado federal e ex-ministro da Saúde Imagem: Arquivo Pessoal

Gabriel Toueg

Colaboração para o UOL, em São Paulo

25/03/2021 07h39

O deputado federal e ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP) disse ao UOL na noite desta quarta-feira (24) que quem está por trás do esquema paralelo de vacinação, revelado pela revista "Piauí", cometeu "uma sucessão de crimes". A revista divulgou que um grupo de empresários ligados ao setor de transportes em Minas Gerais comprou e aplicou em cerca de 50 familiares doses do imunizante da Pfizer sem repassá-las ao SUS, como a lei determina. "Mais do que um escárnio com milhões de brasileiros que estão na fila, sonhando em chegar o seu dia para tomar a vacina, o que esses empresários fizeram é uma sucessão de crimes", disse Padilha.

"Acredito que podemos estar diante de um fio da meada que pode revelar um tráfico de vacinas para o Brasil, para abastecer um camarote clandestino da vacina, que está sendo criado infelizmente por alguns empresários e políticos", acusou o deputado.

O ex-ministro do governo Dilma disse duvidar que "uma empresa como a Pfizer" tenha vendido as doses a "qualquer empresário que não tenha estabelecido as condições em que as vacinas seriam acondicionadas, a forma que seriam aplicadas". Por isso, segundo ele, será necessário investigar quem e como comprou. "Essa vacina não é produzida no Brasil, então alguém a importou. Para isso é necessário ter um pedido de importação junto à Anvisa", apontou.

Ainda de acordo com Padilha, o documento de importação da Anvisa apresenta quem importa as vacinas e "o compromisso de garantir o acondicionamento [das doses], um local apropriado para a vacinação e regras sanitárias" para a aplicação. "A priori, todas [essas regras] foram descumpridas", afirmou. "Tem que investigar quem montou o local de vacinação, que regras cumpriu, quem vendeu as doses", disse o deputado. "Tem que investigar por que quem aplicou a vacina não informou para a autoridade local quem tomou a vacina, quantas vacinas foram tomadas."

Segundo a revista "Piauí", "uma enfermeira" não identificada teria aplicado as doses em um posto de vacinação improvisado na garagem de uma das empresas do grupo dos irmãos Rômulo e Robson Lessa, donos da viação Saritur. Ela teria se atrasado para a vacinação porque imunizava outro grupo de empresários na Belgo Mineira, mineradora pertencente à ArcellorMittal Aços.

Mais cedo, Padilha escreveu no Twitter que pediu ao Ministério Público o confisco das doses do grupo. "São criminosos. Cometeram crime contra a vida, contra as regras sanitárias de uso de vacinas, contra a lei que obriga doar 100% para o SUS", escreveu.

Padilha, que é médico, lembra que só é permitido a clínicas de vacinação vender vacinas no Brasil e que elas precisam estar registradas junto à Anvisa e ao Conselho Regional de Medicina. "Tem que investigar a partir de qual figura jurídica as doses foram vendidas", disse. "E tem que investigar por que as vacinas não foram doadas 100% para o SUS, como está na lei", disse.

Em nota enviada ao UOL, a Pfizer negou "qualquer venda ou distribuição de sua vacina contra a covid-19 no Brasil fora do âmbito do Programa Nacional de Imunização" e disse que o imunizante Comirnaty ainda não está disponível em território brasileiro. A empresa lembra ainda que, junto ao laboratório BioNTech, fechou com o Ministério da Saúde "um acordo contemplando o fornecimento de 100 milhões de doses da vacina contra a covid-19 ao longo de 2021".

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