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Coronavírus

O que se sabe sobre a ButanVac, candidata a ser a 1ª vacina 100% brasileira

ButanVac, vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan - Lucas Borges Teixeira/UOL
ButanVac, vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan Imagem: Lucas Borges Teixeira/UOL

Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

26/03/2021 10h11

O Instituto Butantan apresentou hoje a ButanVac, candidata a ser a primeira vacina 100% brasileira contra a covid-19. Com insumos produzidos nacionalmente, o instituto informou que pretende pedir ainda nesta sexta-feira (26) à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a autorização para a realização de testes em humanos.

Produzida com engenharia semelhante à da vacina da gripe, da qual o Butantan é o maior produtor do hemisfério sul, a ButanVac é considerada pelo instituto uma vacina da segunda geração. Veja o que já se sabe sobre a primeira vacina brasileira:

ButanVac usa vetor viral com proteína Spike

A ButanVac usa um vetor viral com a proteína Spike do coronavírus completa para produzir o vírus inativado, que gera a resposta imunológica à doença.

Como o vetor usado é da doença de Newcastle, uma infecção que afeta aves e não causa sintomas em humanos, o vírus é desenvolvido em ovos embrionados, enquanto a CoronaVac, por exemplo, que usa vírus inativado, é desenvolvida em células. Segundo o instituto, isso facilita "sua estabilidade" e deixa "o imunizante ainda mais seguro".

Resposta maior que CoronaVac em animais

Até então, a vacina só foi testada em animais-padrão. Segundo Dimas Covas, diretor do instituto, estes testes pré-clínicos geraram uma resposta imunológica dez vezes maior do que a CoronaVac.

Testes em humanos devem iniciar em abril

O Butantan anunciou que deverá pedir ainda hoje à Anvisa a autorização para a realização de testes em humanos e, caso autorizado, pretende iniciar já em abril.

Segundo o instituto, serão 1.800 voluntários para as duas primeiras fases, que devem avaliar reações indesejáveis e dosagem (quantidade e possibilidade de ser uma ou duas doses) e mais 9.000 para a terceira fase, a mais importante, que avalia segurança e eficácia.

Como o chamamento de voluntários só pode ser feito após a liberação da Anvisa, o Butantan ainda não divulgou o perfil dos testados, mas devem ser adultos acima de 18 anos e fora dos grupos de risco.

É da segunda geração

A ButanVac será uma das primeiras vacinas do mundo chamadas de "segunda geração", ou seja, produzidas com uma expertise prévia adquirida com vacinas anteriores, como CoronaVac e AstraZeneca/Oxford.

Segundo Dimas, isso a torna ainda mais confiável e eficaz. "Já uma vacina 2.0. Aprendemos com as vacinas anteriores e já sabemos o que é [combater o vírus]", disse o pesquisador.

Produção para maio e distribuição para julho

De acordo com o governador João Doria (PSDB), se tudo ocorrer como previsto, o Butantan pretende começar a produzir a vacina para distribuição já em maio, durante a realização dos testes e mesmo antes da aprovação final da Anvisa.

Essa tática, adotada previamente com a CoronaVac, faz com que a produção seja acelerada e, quando liberada, já tenha um contingente maior para distribuição, prevista para julho.

40 milhões para o primeiro ano

A ButanVac será produzida em uma fábrica do Butantan diferente da atual e não deverá afetar na produção da CoronaVac, imunizante produzido junto à chinesa Sinovac. Neste primeiro ano, o Butantan prevê a produção de pelo menos 40 milhões de doses.

Faz parte de consórcio internacional

A ButanVac faz parte de um consórcio internacional com o IVAC (Instituto de Vacinas e Biologia Médica), do Vietnã, e a Organização Farmacêutica Governamental da Tailândia, com testes realizados também nestes países.

Segundo Doria, assim que todo o contingente nacional for vacinado um dos objetivos do consórcio será fornecer a ButanVac para países de baixa e média renda.

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