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1 mês

Relatório da Saúde contraindica cloroquina e outros para tratar covid

Presidente Jair Bolsonaro com caixa de cloroquina do lado de fora do Palácio da Alvorada - ADRIANO MACHADO
Presidente Jair Bolsonaro com caixa de cloroquina do lado de fora do Palácio da Alvorada Imagem: ADRIANO MACHADO

Afonso Ferreira

Do UOL, em São Paulo

17/05/2021 14h46Atualizada em 17/05/2021 17h47

Um parecer técnico da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) —órgão vinculado ao Ministério da Saúde e que tem o objetivo de assessorar a pasta— contraindica o uso de cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, remdesivir e ivermectina para tratar pacientes hospitalizados com covid-19.

Esse é o primeiro relatório da Conitec contrário ao uso desses medicamentos desde o início da pandemia. Apesar de contraindicá-los no tratamento de pacientes internados, o documento não faz menção sobre o uso no tratamento precoce da doença.

Até então, o Ministério da Saúde tinha um protocolo com "orientações" sobre o uso de cloroquina e outros medicamentos no tratamento precoce da covid-19, assinado pelo então ministro general Eduardo Pazuello sob pressão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A recusa em assinar tal protocolo levou às demissões de Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich da pasta.

O parecer da Conitec foi editado a partir de um pedido de análise feito pelo atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Além do uso desses medicamentos, o documento traz diretrizes e protocolos referentes a outros temas, como uso de oxigênio hospitalar e procedimentos para intubação de pacientes.

Questionado na CPI da Covid sé é a favor ou contra o uso de cloroquina para tratar a covid-19, Queiroga evitou se posicionar e disse que não poderia emitir "juízo de valor" sobre o tema.

O relatório foi colocado em consulta pública e estará aberto a receber contribuições até 27 de maio. Após essa fase, a comissão volta a analisar o tema e tem 180 dias —prorrogáveis por mais 90 dias— para emitir um parecer final. Somente após essas etapas é que o Ministério da Saúde decide se acata ou não as sugestões.

Procurado pelo UOL, o Ministério da Saúde informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que vai aguardar o término do rito para se manifestar sobre o tema.

Cloroquina: sem evidência de benefícios

Com base em estudos científicos, o parecer recomenda que a cloroquina ou hidroxicloroquina não seja utilizada em pacientes hospitalizados com covid-19. A Conitec afirma que não há evidências de benefício, seja no uso de forma isolada ou em associação com outros medicamentos.

A cloroquina e a hidroxicloroquina não devem ser utilizadas, independentemente da via de administração (oral, inalatória ou outras)
Trecho do parecer da Conitec

A comissão recomenda manter o uso desses medicamentos apenas para pacientes que já fazem uso para o tratamento de outras condições previstas na bula, como doenças reumatológicas e malária.

No caso da azitromicina, o relatório diz que ela só pode ser utilizada na presença ou suspeita de infecção bacteriana associada à covid-19.

Rendesivir

Já em relação ao rendesivir, o relatório contraindica sua utilização para pacientes internados com a doença, mas permite a recomendação condicional, em caso de "certeza da evidência moderada".

A análise indica que o medicamento não reduziu mortalidade nos pacientes hospitalizados com a doença, bem como "não parece haver benefício nos pacientes em uso de ventilação mecânica".

Ivermectina

Segue a mesma recomendação do rendesivir (não utilização, salvo em certeza de incidência moderada da doença).

Não há estudos que subsidiem o uso da ivermectina nos pacientes hospitalizados com covid-19, com seu uso devendo ser restrito a estudos clínicos
Trecho do parecer da Conitec

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