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SP avalia adiar liberação de máscaras, mas comitê não vê motivo para pânico

11.nov.2021 - O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o governador João Doria (PSDB-SP) em evento no Palácio dos Bandeirantes - Governo do Estado de São Paulo
11.nov.2021 - O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o governador João Doria (PSDB-SP) em evento no Palácio dos Bandeirantes Imagem: Governo do Estado de São Paulo

Leonardo Martins e Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

02/12/2021 04h00

Apesar de ter sido anunciada na semana passada, a liberação do uso de máscaras em espaços abertos no estado de São Paulo e na capital deve ser adiada. A confirmação de casos da variante ômicron do coronavírus fez com que técnicos do governo e prefeitura reavaliassem a decisão.

Contudo, antes de anunciar qualquer restrição, as autoridades das duas gestões querem esperar novas informações sobre a capacidade da variante desenvolver formas graves da covid-19 e se ela escapa da proteção das vacinas. Não há razão para pânico, na avaliação das fontes do governo e da prefeitura ouvidas pelo UOL.

No governo estadual, antes da chegada da variante, a liberação das máscaras já não era consenso entre os cientistas que integram o Comitê Científico, que auxilia o governador João Doria (PSDB) nas tomadas de decisão relativas à pandemia. A avaliação era de que a liberação poderia passar uma mensagem cruzada de fim da pandemia —mesmo que o aval acontecesse apenas em lugares abertos.

O pedido de uma nova análise do tema, esta semana, foi uma demanda encaminhada pelo próprio governador.

Mesmo que inicialmente o governo não tenha considerado alterar a decisão, como noticiou o UOL, Doria divulgou uma nota na terça-feira (30) anunciando ter pedido ao Comitê Científico um novo posicionamento sobre a liberação das máscaras. Assim, abriu margem para um recuo e adiamento da medida.

Na capital, é preciso ter o aval da Covisa

Já na Prefeitura de São Paulo, a liberação das máscaras já era vista com cautela antes da chegada da variante. A vontade da gestão de seguir o estado e liberar as proteções existia, mas a decisão só seria tomada com o aval da Covisa (Coordenaria de Vigilância em Saúde), que realiza seguidos estudos sobre o comportamento do vírus na cidade.

Agora, com a variante, mesmo que a capital apresente condições de liberar as máscaras —como baixo número de internações e mortes por covid-19—, o aval também deve ser adiado.

O receio é semelhante ao do Palácio dos Bandeirantes: passar à sociedade uma mensagem de mudança de postura e até mesmo "desdém" com relação à chegada de mais uma mutação do vírus.

Tanto para o Comitê Científico do estado quanto para a gestão da saúde municipal, a ideia é monitorar as notícias sobre a ômicron e investir na vacinação de pessoas com a segunda dose atrasada e no reforço com a terceira dose. A mensagem é de atenção, mas sem pânico.

Para os médicos do governo, manter a obrigatoriedade das máscaras pode ser uma medida prudente, mas a ômicron não tem mostrado, ainda, nenhum indício de que possa mudar os rumos da pandemia no país. O mesmo pensa a pasta da saúde municipal.

É realmente uma situação de alerta mundial e nós estamos discutindo sobre a questão do uso de máscara. Nada foi decidido ainda, mas não há problema de adiarmos [a liberação]. Ainda não há indícios de que essa variante vá causar um impacto maior [do que a delta], mas precisamos acompanhar."
Paulo Menezes, epidemiologista e coordenador do Comitê Científico

A prefeitura terá em mãos um novo estudo da Covisa no próximo domingo (5) e deve anunciar na segunda-feira (6) suas considerações sobre liberação de máscaras e sobre a festa do Réveillon —por enquanto, a festa está sendo organizada.

A decisão do governo estadual deverá ser anunciada também no início da semana que vem, provavelmente na terça (7). Nesta semana, Doria foi à Nova York, nos Estados Unidos, com uma comitiva para inaugurar um escritório comercial da InvestSP, agência de promoção de investimentos do governo estadual.

Ao todo, até a noite de ontem, três casos da variante foram confirmados em São Paulo e há mais um em investigação no Rio. A ômicron foi identificada na África do Sul, na semana passada, mas está presente na Europa desde o ano passado.

A variante é considerada "de preocupação" pela OMS (Organização Mundial de Saúde) pelo seu potencial de transmissibilidade. Mas, até agora, não há estudos que sustentem que ela tenha causado casos graves de infecção —em pessoas vacinadas ou não.

Sociedade de Infectologia é contra

Ontem, a SPI (Sociedade Paulista de Infectologia) publicou uma nota contra a flexibilização. Para os infectologistas do estado, mesmo que o risco de transmissão em locais abertos seja baixo, explicar esta classificação para as pessoas é "difícil".

Como levar uma mensagem adequada para a população de colocar máscara na fila da lanchonete do parque? E no mesmo parque, fora da fila, pode tirar a máscara? E nos eventos com aglomeração em ambientes abertos? Assim, não é possível ter um fluxo de informação adequado."
Nota da Sociedade Paulista de Infectologista

"A flexibilização de medidas protetoras difunde uma falsa imagem que a pandemia está resolvida e corremos o risco de novos picos da covid-19, com aumento significativo de casos e internações, com o agravante da atual sobrecarga dos serviços e trabalhadores da área da saúde que passam por falta de contratações e de verbas", conclui a carta assinada pela diretoria da entidade.

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