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Sociedade de Imunizações volta a criticar Bolsonaro: 'Cria clima de medo'

6.jan.2022 - O presidente Jair Bolsonaro (PL) atacou a Anvisa por liberar a vacinação infantil durante sua live semanal - Reprodução/Facebook
6.jan.2022 - O presidente Jair Bolsonaro (PL) atacou a Anvisa por liberar a vacinação infantil durante sua live semanal Imagem: Reprodução/Facebook

Do UOL, em São Paulo

07/01/2022 12h57Atualizada em 07/01/2022 14h01

A SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) divulgou uma nota hoje com críticas às declarações do presidente Jair Bolsonaro (PL) a respeito da vacinação de crianças contra a covid-19, dizendo que o mandatário "cria um desnecessário clima de medo" que pode levar pais e responsáveis a não imunizarem seus filhos. A entidade ressaltou que as vacinas são seguras e eficazes.

Ontem, em entrevista a uma emissora de TV, o presidente voltou a criticar a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pelo aval à vacinação infantil e, em tom alarmista e sem fundamentação científica, colocou em dúvida a eficácia do imunizante da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos.

Bolsonaro disse ainda desconhecer que alguém nessa faixa etária tenha morrido em decorrência da doença no país. No entanto, a SBIm ressalta que dados do próprio Ministério da Saúde mostram que a covid-19 está entre as 10 principais causas de morte de crianças de 5 a 11 anos.

Dados do Sivep-Gripe, base de dados do SUS (Sistema Único de Saúde), apontam que ao menos 301 crianças desta faixa etária morreram no país em razão da covid-19 desde março de 2020. No total, foram 6.163 casos registrados de infecção.

Ao deturpar informações apresentadas por renomados cientistas na audiência pública, menosprezar as sérias complicações da doença na população infantil — ignorando centenas de óbitos — e criar artifícios para adiar o início da vacinação, o presidente cria um desnecessário clima de medo, que pode motivar inúmeros pais ou responsáveis a não levarem suas crianças às salas de vacinação. Em outras palavras, o discurso pode causar hospitalizações, mortes e sofrimento evitáveis Trecho de nota da Sociedade Brasileira de Imunizações

Em sua live, o chefe do Executivo federal voltou a atacar a agência reguladora, questionando a autoridade da Anvisa — a chamando de "dona da verdade" — para tomar esse tipo de decisão, ainda que baseada em estudos científicos. Ele voltou a dizer que não irá vacinar a filha mais nova, Laura, de 11.

A vacinação do público infantil contra a covid-19 foi aprovada pela Anvisa há três semanas, em 16 de dezembro de 2021. Para a tomada de decisão, a agência analisou um estudo feito com 2.250 crianças que comprovou que o imunizante da Pfizer é seguro e eficaz, com benefícios que superam os riscos.

"A Sociedade Brasileira de Imunizações entende que nenhuma morte de crianças é negligenciável. É inadmissível testemunhar crianças serem hospitalizadas e falecerem por doenças preveníveis por vacinas", acrescentou o comunicado.

Vacinação começa em janeiro

Na quarta-feira (5), 20 dias após o aval da Anvisa, o Ministério da Saúde incluiu crianças entre 5 e 11 anos no plano nacional de vacinação contra a covid-19, mas sem a exigência de prescrição médica, como havia antecipado o ministro Marcelo Queiroga, em dezembro.

De acordo com a pasta, 3,7 milhões de crianças devem ser vacinadas ainda em janeiro, mas tudo dependerá da capacidade de produção da Pfizer.

"A todos que estão com receio, transmitimos uma mensagem tranquilizadora. A vacinação de crianças entre 5 e 11 anos é segura, eficaz e salvará vidas da mesma forma que a vacinação de adultos e adolescentes vem salvando", concluiu a nota da SBIm.

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