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4 meses

Bolsonaro chama Anvisa de 'dona da verdade' e reclama: 'Virou outro Poder'

Do UOL, em São Paulo

06/01/2022 19h38Atualizada em 07/01/2022 10h37

Em novo ataque, o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a criticar a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pelo aval à vacinação de crianças contra a covid-19, questionando a autoridade do órgão — que chamou de "dona da verdade" — para tomar esse tipo de decisão, ainda que baseada em estudos científicos.

"Anvisa agora virou... Não vou comparar com um Poder aqui no Brasil, mas virou outro Poder. É a dona da verdade em tudo", reclamou Bolsonaro durante sua live semanal. "Já se fala agora na dose de reforço para crianças de 5 a 11 anos. A própria Anvisa, para tirar o dela da reta, orienta aos pais cujos filhos apresentem dores no peito, falta de ar ou palpitações após aplicação da vacina a procurarem um médico."

O UOL entrou em contato com a Anvisa para pedir um posicionamento sobre a declaração do presidente e aguarda retorno.

Pai e mãe, você que tem filho de 5 a 11 anos: a vacina [contra a covid-19] não é obrigatória. Eu adianto a minha posição: a minha filha de 11 anos não será vacinada. Se você quer seguir o meu exemplo, tudo bem; se não quer, é direito seu. Você pode vacinar seu filho tão logo essas vacinas da Pfizer sejam disponibilizadas.
Jair Bolsonaro, durante live

A vacinação do público infantil contra a covid-19 foi aprovada pela Anvisa há três semanas, em 16 de dezembro de 2021. Para a tomada de decisão, a agência analisou um estudo feito com 2.250 crianças que comprovou que o imunizante da Pfizer é seguro e eficaz, com benefícios que superam os riscos.

Bolsonaro, porém, sempre foi crítico, tendo se manifestado contra a vacinação de crianças — que já acontece em países como Chile e Estados Unidos, por exemplo — em diversas ocasiões. Em 16 de dezembro, também durante live, ele anunciou ter pedido os nomes dos técnicos da Anvisa responsáveis por aprovar a vacina ao público infantil, dizendo querer "divulgar o nome dessas pessoas".

Três dias depois, ao conversar com apoiadores em Praia Grande (SP), Bolsonaro voltou a criticar a agência reguladora, questionou supostos efeitos adversos da vacina — sem, no entanto, apresentar dados — e repetiu ser a favor da "liberdade" de não se vacinar, ainda que isso represente um risco a outras pessoas. (Assista abaixo)

Vacinação começa em janeiro

Ontem, 20 dias após o aval da Anvisa, o Ministério da Saúde incluiu crianças entre 5 e 11 anos no plano nacional de vacinação contra a covid-19, mas sem a exigência de prescrição médica, como havia antecipado o ministro Marcelo Queiroga em dezembro.

De acordo com a pasta, 3,7 milhões de crianças devem ser vacinadas ainda em janeiro, mas tudo dependerá da capacidade de produção da Pfizer. O primeiro lote de vacinas está previsto para chegar ao Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), na próxima quinta (13), e no dia seguinte já poderá ser repassado aos estados e municípios.

O governo federal diz ter encomendado todas as doses necessárias para atender o público-alvo (20 milhões), e prevê que todas serão entregues no primeiro trimestre de 2022. A campanha será realizada por faixa etária decrescente — isto é, das crianças mais velhas para as mais novas —, com prioridade para aquelas que tenham comorbidades ou deficiências permanentes.

O intervalo entre a primeira e a segunda dose será de oito semanas, maior que o período de três semanas recomendado na bula.

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