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Coronavírus

Com alta nas internações por covid, SP abre 700 leitos em hospitais

Aumento de leitos ocorrerá em todos os municípios do estado, segundo o governo estadual - Divulgação/Governo de São Paulo
Aumento de leitos ocorrerá em todos os municípios do estado, segundo o governo estadual Imagem: Divulgação/Governo de São Paulo

Henrique Sales Barros e Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

26/01/2022 13h10Atualizada em 26/01/2022 15h58

Em meio ao aumento progressivo de internações por covid-19, o governo de São Paulo vai abrir mais 700 leitos exclusivos para a doença nos próximos dez dias. Com a variante ômicron, o estado voltou a beirar 70% de ocupação nos hospitais —situação semelhante ao meio de 2021.

De acordo com o governador João Doria (PSDB), a atenção inicial será voltada em especial aos leitos de baixa complexidade. Serão 266 novos leitos de UTI e 434 de enfermaria em hospitais da rede pública de todas as regiões do estado.

O foco está nos leitos de enfermaria, já que por conta dos elevados índices de vacinação, não temos tido um agravamento da doença, então os leitos primários são os mais importantes neste momento."
João Doria (PSDB), governador de São Paulo

Atualmente, há pouco mais que 11 mil pessoas internadas com covid em São Paulo:

  • 3.633 em UTIs e
  • 7.342 em enfermarias.

Isso significa, segundo a Secretaria Estadual da Saúde, ocupação de 68,2% e 67,4% em leitos de alta e baixa complexidade, respectivamente.

São Paulo voltou a apresentar aumento das internações desde dezembro de 2021 - Reprodução/Governo do Estado de São Paulo - Reprodução/Governo do Estado de São Paulo
São Paulo voltou a apresentar aumento das internações desde dezembro de 2021
Imagem: Reprodução/Governo do Estado de São Paulo

Esta é a taxa de ocupação de leitos mais alta desde o início de julho do ano passado, quando o país saía do pico da segunda onda. Os números vêm subindo desde dezembro. O infectologista Jean Gorinchteyn, secretário estadual da Saúde, ressaltou, no entanto, que o estado vive uma situação diferente daquela do ano passado.

Hoje, de acordo com Gorinchtyen, o estado tem 4.900 leitos de UTI. No pico da pandemia, em junho do ano passado, chegou a 14 mil só de alta complexidade.

"No pico da nossa segunda onda, tivemos 13,1 mil pessoas internadas somente nas UTIs. O que observamos é o aumento nas novas internações, especialmente nas últimas semanas. Houve um incremento de 33,4% neste número de pacientes internados, tanto em enfermarias, principalmente, como nas UTIs", afirmou o secretário.

Gorinchtyen disse ainda que o aumento de leitos deve ocorrer em 645 municípios. Depois, o governo deve avaliar "se devemos proceder com novas aberturas", completou o médico da equipe de Doria.

Segundo com o secretário-executivo da Saúde, Eduardo Ribeiro, o estado vai pedir ajuda financeira ao Ministério da Saúde para a manutenção dos leitos.

"A partir de 1º de janeiro, o Ministério da Saúde só paga leito ocupado, e essa é uma medida que desestimula estados e municípios a manterem leitos disponíveis para fazer frente a situações como essas", argumentou Ribeiro.

Vacinação impediu quadro pior

Apesar do número crescente de internações, o governo paulista e o Comitê Científico dizem avaliar que a vacinação no estado, que já ultrapassou 80% da população imunizada, impediu a explosão nos números de casos graves e mortes, como ocorreu no primeiro semestre do ano passado —e justifica a atenção maior a leitos de baixa complexidade.

Segundo o comitê, a taxa de letalidade também está mais baixa. Enquanto, no pico do ano passado, entre maio e junho, o número de óbitos chegou a bater 35% das internações em UTI, atualmente está em 15% —grande parte deles de não vacinados.

A vacinação permitiu com que a grande maioria seja assintomática ou tenha sintomas leves, por isso precisamos garantir a assistência, mas já não há aquela intensidade que vimos em outras ondas."
Paulo Menezes, coordenador do Comitê Científico

Segundo o VacinaJá, mais de 37 milhões de pessoas já completaram o ciclo vacinal no estado (80,3% da população) e 15 milhões com a dose adicional. Na semana passada, começou também a vacinação de crianças com Pfizer e CoronaVac, após aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Até a tarde de quarta, mais de 520 mil crianças de 5 a 11 anos já haviam tomado a primeira dose —segundo o governo paulista, três em cada quatro crianças brasileiras vacinadas são de São Paulo.

"Levem seus filhos [para vacinar], façam esse movimento. O momento é difícil porque estamos tendo um avanço no número de casos, de ocupação de leitos, mas a vacina é a forma que a gente tem agora de proteger as nossas, e é isso que a gente espera que aconteça", disse Regiane de Paula, coordenadora do PEI (Programa Estadual de Imunização).

Velocidade das internações

Menezes tem uma previsão "otimista" para as próximas semanas. Para ele, o aumento de casos e internações já está próximo do seu pico, e, então, deverá desacelerar.

"São Paulo tem, hoje, cerca de 100 casos por 100 mil habitantes em um intervalo de sete dias. A contaminação sobe igual um foguete, mas estávamos vendo em outros países, felizmente, uma redução rápida. O pico dura muito menos do que em outros momentos da pandemia", declarou o epidemiologista. "Se a tendência de outros países se confirmar, devemos ver a redução em semanas."

A África do Sul, primeiro país a identificar a variante em novembro, passa, desde o final de dezembro, por uma desaceleração, com média semanal de 3 mil novos casos por dia. No pico, na primeira metade de dezembro, chegou a atingir média de 23 mil novas confirmações por dia.

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