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Saúde

'Bolhas não param de doer', diz mulher com suspeita de varíola dos macacos

Do UOL, em São Paulo

21/06/2022 13h00Atualizada em 21/06/2022 15h17

Vídeo que circula nas redes sociais mostra uma paciente de Itaguaí (RJ), com suspeita de varíola dos macacos, reclamando de dores, febre e bolhas que surgem no corpo. A mulher —que não teve a sua identidade revelada— foi atendida no hospital da cidade e permanece em isolamento domiciliar, em monitoramento.

Ao todo, o Brasil registra oito casos confirmados da varíola dos macacos: são quatro em São Paulo, dois no Rio Grande do Sul e dois no Rio de Janeiro.

"Ontem, eu fui para o [Hospital] São Francisco [Xavier], com suspeita de varíola [dos macacos]. O meu rosto está bem agressivo, com glândulas, aqui no pescoço e um pouco mais abaixo. Eu estou com muitas dores, com muita febre, muitas dores de cabeça, e essas bolhas não param de doer", disse ela, na gravação.

"Eu ainda estou esperando os resultados dos exames que foram para o Rio", acrescentou.

Em entrevista ao site local "Atual", a mulher disse ter começado a sentir os primeiros sintomas no dia 14 de junho. Ela disse trabalhar em um hotel da região da Costa Verde, famoso por receber um número considerável de turistas estrangeiros, mas que não vai ao local de trabalho há mais de um mês.

A paciente contou que está tomando dipirona e deocil para minimizar as dores. Profissionais de saúde foram à casa dela, nesta segunda-feira (20), para coletar material e enviar para análise no Instituto Oswaldo Cruz.

Em nota ao UOL, a Prefeitura de Itaguaí disse que o caso dessa paciente já está em investigação e que todas as medidas de contenção e controle foram adotadas.

"A Secretaria de Saúde já comunicou oficialmente as autoridades de saúde estaduais", ressalta.

Já a secretaria estadual de Saúde disse que "o monitoramento do caso está sendo realizado pela vigilância municipal com apoio da vigilância estadual".

"A paciente é uma mulher de 25 anos que, no momento, encontra-se em isolamento em casa", afirma.

Como acontece a contaminação

A varíola dos macacos é uma doença viral rara transmitida pelo contato próximo/íntimo com uma pessoa infectada e com lesões de pele. Esse contato pode ser, por exemplo, por abraço, beijo, massagens, relações sexuais ou secreções respiratórias próximos e por tempo prolongado.

"A transmissão também ocorre por contato com objetos, tecidos (roupas, roupas de cama ou toalhas) e superfícies que foram utilizadas pelo doente. Não há tratamento específico, mas de forma geral os quadros clínicos são leves e requerem cuidado e observação das lesões", informou o governo de São Paulo, em nota.

Prevenção

  • Evitar contato próximo/íntimo com a pessoa doente até que todas as feridas tenham cicatrizado;
  • Evitar o contato com qualquer material, como roupas de cama, que tenha sido utilizado pela pessoa doente;
  • Higienização das mãos, lavando-as com água e sabão e/ou uso de álcool gel.

Conheça os sintomas

Os primeiros sintomas podem ser febre, dor de cabeça, dores musculares e nas costas, linfonodos inchados, calafrios ou cansaço. De um a três dias após o início desses sintomas, as pessoas desenvolvem lesões de pele que podem estar localizadas em mãos, boca, pés, peito, rosto e ou regiões genitais.

Risco de morte é baixo

A varíola dos macacos pode ser letal, mas o risco é baixo. Existem dois grupos distintos do vírus da doença circulando no mundo, agrupados com base em suas características genéticas: um predominantemente em países da África Central — com taxa de fatalidade de cerca de 10% —, e outro circulando na África Ocidental, com taxa bem menor, de 1%.

A vigilância genômica ainda incipiente mostra que o vírus em circulação fora do continente africano é o menos letal.

Complicações podem ocorrer, principalmente infecções bacterianas secundárias da pele ou dos pulmões, que podem evoluir para sepse e morte ou disseminação do vírus para o sistema nervoso central, gerando um quadro de inflamação cerebral grave chamado encefalite, que pode ter sequelas sérias ou levar ao óbito.

Além disso, como toda doença viral aguda, a depender do estado imunológico do paciente e das condições e acesso à assistência médica adequada, alguns casos podem levar à morte.

Vacina da varíola humana protege

Estudos apontam que a vacinação prévia contra varíola pode ser eficaz contra a varíola de macacos em até 85%. Isso porque ambos os vírus pertencem à mesma família e, portanto, existe um grau de proteção cruzada devido à homologia genética entre eles.

Entretanto, como a varíola humana foi erradicada há mais de 40 anos, atualmente não há vacinas disponíveis para o público em geral. No último dia 14, a OMS passou a recomendar a vacinação contra a varíola, mas apenas para grupos prioritários, ou seja, para pessoas que tiveram contato com quem teve a doença e profissionais de saúde.

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