Ministro israelense da Defesa renuncia por falta de confiança em Netanyahu

Jerusalém, 20 Mai 2016 (AFP) - O ministro israelense da Defensa, Moshe Yaalon, anunciou sua demissão nesta sexta-feira de forma inesperada e questionou a credibilidade do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em meio à polêmica sobre o retorno ao governo de um líder ultranacionalista.

"Esta manhã disse ao primeiro-ministro que, devido a seu comportamento durante os últimos acontecimentos, e tendo em vista minha falta de confiança nele, peço demissão do governo e da Knesset (Parlamento) e tiro um descanso da vida política", escreveu Yaalon no Twitter.

Este é um ataque grave de um homem renomado em Israel, ex-comandante do Estado-Maior e até agora à frente de um ministério essencial no país.

A inesperada renúncia de Yaalon acontece depois de Netanyahu oferecer, na quarta-feira, o ministério da Defesa ao ultranacionalista Avigdor Lieberman, atualmente na oposição. A ideia era deslocar Yaalon para o ministério das Relações Exteriores.

O objetivo de Netanyahu é ampliar sua frágil maioria parlamentar, que tem apenas um voto a mais que o necessário. Desde 2015, com a formação de seu quarto governo, o premier tem que lidar com os interesses de cada um de seus sócios.

A decisão do chefe de Governo israelense de propor o ministério da Defesa a Lieberman foi interpretada pelos analistas como uma manobra para punir Yaalon, mas também pode ser considerada uma tática para afastá-lo como um possível rival dentro de seu partido, o Likud.

Netanyahu e Yaalon têm profundas divergências.

No último desacordo, Yaalon estava em conflito com Netanyahu por ter estimulado os oficiais a sempre dizer o que pensam, mesmo que suas declarações sejam contrárias às ideias de seus superiores ou dos dirigentes políticos, o que o primeiro-ministro considerou um questionamento de sua política.

O retorno de Avigdor Lieberman, que já foi chanceler, faz do novo governo o mais conservador da história de Israel, segundo analistas.

Graças a Lieberman e aos deputados de seu partido Yisrael Beiteinu ("Israel nossa casa"), Netanyahu disporia de uma maioria parlamentar de 66 cadeiras em um total de 120.

No ministério da Defesa, Lieberman, odiado de forma unânime pelos palestinos, supervisionará as atividades do exército nos Territórios Palestinos ocupados.

'Fator de moderação'Há poucos dias, Lieberman acusava o governo de Netanyahu de falta de firmeza ante a atual série de ataques palestinos, assim como pelo fato de não construir nos grandes blocos de colônia da Cisjordânia, território palestino ocupado desde 1967.

Com Yaalon na Defesa e o atual Estado-Maior, "o alto comando do exército era um fator de moderação" que contribuía para contrabalançar os confrontos cada vez mais intensos entre israelenses e palestinos nos últimos meses, afirmou o jornal Haaretz na quinta-feira.

"É difícil prever como Lieberman atuaria nestas circunstâncias", completou a publicação.

Yaalon e o Estado-Maior trabalhavam para apaziguar o desejo do governo e da direita, incluindo Lieberman, de represálias mais duras.

Se Moshe Yaalon não aceitar a pasta das Relações Exteriores, a pergunta é saber quem será convidado para o ministério.

Ao mesmo tempo, a saída de Yaalon do Parlamento significará a entrada do ativista israelense Yehuda Glick, considerado por palestinos e autoridades israelenses um perigoso provocador por defender o direito dos judeus a rezar na Esplanada das Mesquitas em Jerusalém (terceiro local sagrado do islã, também venerado pelos judeus).

bur-lal/fp

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