Forças iraquianas preparam ataque à cidade de Fallujah

Bagdá, 29 Mai 2016 (AFP) - As forças de elite iraquianas preparavam neste domingo um ataque contra a cidade de Fallujah, nas mãos do grupo Estado Islâmico (EI), que também enfrenta uma ofensiva de grande magnitude na vizinha Síria, enquanto cresce o temor pelos civis presos nos combates em ambos os países.

Enquanto isso, o negociador-chefe da oposição síria, Mohamed Alush, anunciou neste domingo sua demissão, alegando como motivos o fracasso das negociações e os contínuos bombardeios do regime de Bashar al Assad sobre as zonas rebeldes.

"As três rodadas de negociações (em Genebra sob os auspícios da ONU) não tiveram sucesso devido à obstinação do regime, os contínuos bombardeios e suas agressões ao povo sírio (...) anúncio minha retirada da delegação e minha demissão", indicou Alush em um comunicado publicado em sua conta do Twitter no domingo à noite.

Na Síria, mais de 6.000 civis, em sua maioria mulheres e crianças, fugiram em 24 horas diante do avanço do EI na província de Aleppo e se refugiaram em zonas sob controle curdo, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Pela primeira vez desde o início, na segunda-feira, da ofensiva contra Fallujah das tropas governamentais iraquianas, elas se dirigiram às imediações da cidade, situada 50 km a oeste de Bagdá, informaram comandantes.

As forças de elite antiterroristas (CTS), a polícia de Al-Anbar e os combatentes de tribos locais "estão estreitando o cerco em torno de Fallujah e esperam a hora H para atacar", informou um oficial do comando de operações conjuntas.

Um dia antes, o comandante da operação em Fallujah, Abdelwahab al-Saadi, afirmou que suas forças avançaram em direção à cidade pelo sul e pelo leste e que iam entrar "nas próximas horas".

Apoiadas pela coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, as forças de elite realizaram vários ataques para recuperar cidades iraquianas controladas pelos jihadistas.

Sua participação marca uma nova fase na ofensiva contra Fallujah, a primeira cidade a cair nas mãos do EI, em janeiro de 2014.

No norte, as forças peshmergas curdas lançaram neste domingo um ataque para retomar o controle de zonas a leste de Mossul e, assim, aumentar a pressão contra o EI nesta cidade, a segunda do país e principal reduto jihadista do Iraque.

"As forças peshmergas, apoiadas pela coalizão internacional, lançaram uma ofensiva terrestre para retomar do EI várias localidades da região de Al-Jazir, a leste de Mossul", informou o Conselho de Segurança da região autônoma do Curdistão iraquiano.

"Assustados e famintos"Recuperar o controle de Fallujah, na grande província ocidental de Al-Anbar, junto a Mossul e Raqa na Síria, é o principal objetivo da coalizão internacional antijihadista.

Um total de 50.000 civis estão bloqueados em Fallujah em condições dramáticas, sem comida, água potável ou remédios.

Centenas de pessoas conseguiram sair dos subúrbios da cidade, "esgotadas, assustadas e famintas", mas outras milhares seguem sitiados no centro de Fallujah, "isoladas de qualquer ajuda e proteção", segundo o Conselho Norueguês para os Refugiados.

Os jihadistas que estão na cidade, cerca de mil, estariam utilizando os civis como escudos humanos.

No sábado os jihadistas lançaram um ataque para retomar o controle de Hit, 80 km mais a noroeste, de onde foram expulsos pelo exército, segundo fontes de segurança. O ataque foi freado, mas os combates seguem às portas da cidade.

Esta mesma estratégia se repete do outro lado da fronteira, na Síria, onde as forças curdo-árabes lançaram uma grande ofensiva contra o EI na província de Raqa (norte). Para contrabalançar o ataque, os jihadistas lançaram, por sua vez, um ataque contra os rebeldes na província vizinha de Aleppo.

Hospitais evacuados em AleppoAs localidades atacadas pelo EI, de onde 6.000 civis fugiram, estão situadas entre a cidade de Marea, quase sitiada, e a cidade de Azaz, 20 km mais ao norte, que os jihadistas também querem recuperar, segundo o OSDH.

Diante do avanço jihadista, grande parte da equipe médica abandonou o único hospital de Marea. A ONG Médicos Sem Fronteiras precisou evacuar pacientes e médicos de um hospital de Azaz, próximo aos combates, segundo vários funcionários.

"Os novos acampamentos (para os deslocados) estão superpovoados e as condições de vida são precárias", explicou Yehya, um responsável dos enfermeiros.

Desde o início da ofensiva lançada pelo EI na sexta-feira, 47 jihadistas morreram, incluindo nove suicidas, além de 61 rebeldes e 29 civis, de acordo com números da ONU.

Ao redor da região de Azaz, na fronteira com a Turquia, cerca de 165.000 deslocados também estão ameaçados pela ofensiva jihadista, segundo a ONU.

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