Sobrevivente do massacre de Orlando achou que seria o próximo a morrer

Orlando, Estados Unidos, 14 Jun 2016 (AFP) - Deitado no chão da boate Pulse, baleado na perna, Angel Colon achava que seria o próximo a morrer enquanto via o assassino Omar Mateen disparando contra os corpos inertes ao seu redor.

"Eu estava pronto para apenas ficar deitado no chão para que ele não percebesse que eu estava vivo", declarou nesta terça-feira, com a voz embargada, o jovem ferido do massacre de Orlando, atingido na perna, pisoteado pelas pessoas que tentavam fugir e arrastado em meio a estilhaços de vidro e sangue por um policial.

"Estávamos apenas nos divertindo. Tomávamos uma bebida. Era pouco depois das 2h00. Estávamos nos despedindo. Beijei a todos. Foi uma bela noite. Sem drama, apenas sorrisos, risos, e eu estava conversando com uma menina quando ouvimos um tiro alto", contou Angel Colon, de 26 anos, com a voz carregada de emoção durante uma coletiva de imprensa.

"Paramos o que estávamos fazendo e os tiros continuaram. Alguma coisa estava acontecendo e apenas nos seguramos uns nos outros", continuou, afirmando que esteve relutante em testemunhar, mas que decidiu que queria "que todo mundo soubesse o que aconteceu nesta comunidade" que estava no domingo no Pulse, uma boate gay de Orlando, onde 49 pessoas morreram e 53 ficaram feridas.

'Fui pisoteado'"Começamos a correr e, infelizmente, fui atingido três vezes na perna, então eu caí. Tentei me levantar, mas todos começaram a correr em todas as direções. Fui pisoteado e os ossos da minha perna esquerda foram quebrados", lembrou.

"A partir deste momento percebi que não conseguiria andar. Tudo o que eu podia fazer era fingir que estaca morto, enquanto todo mundo andava sobre mim (...) e tudo o que eu podia ouvir eram os tiros, um após o outro, e as pessoas gritando, pessoas gritando por socorro", continuou.

"Neste momento o homem foi para outra sala e eu ainda podia ouvir os tiros que continuavam. Pensei que poderia estar um pouco mais seguro, porque daria tempo de as pessoas pegarem-no e o matarem", prosseguiu.

"Mas, infelizmente, eu ouvi ele voltar, e atirar em todos aqueles que já estavam mortos no chão. Para ter certeza que estavam mortos".

"Consegui dar uma olhada e vi ele atirar em todos. E ouvi os tiros se aproximando e vi quando atirou na menina que estava perto de mim".

Vidro e sangue"E eu estava apenas deitado. Eu pensei que seria o próximo, que estava morto. Então, eu não sei como, pela graça de Deus, ele apontou para a minha cabeça, mas atingiu minha mão e ele voltou a atirar, mas atingiu o meu quadril. Eu não reagi. Estava pronto para apenas ficar parado, para que ele não percebesse que eu estava vivo", acrescentou.

"E ele continuou a fazer isso por mais 5 ou 10 minutos. Atirava para todos os lados. Depois vi ele andar para a frente e acho que foi nesse momento que ele começou a atirar contra a polícia. Ouvia tiros por toda parte".

"Eu olhei para cima (e vi) policiais. E espero que consiga me lembrar do rosto ou do nome do policial porque sou grato a ele por esse dia. Ele olhou para mim. Garantiu que eu estava vivo, e agarrou a minha mão dizendo ser a única maneira que ele poderia me tirar de lá. Pedi que ele me carregasse, porque estava sofrendo muito. Não podia andar ou fazer qualquer outra coisa", prosseguiu.

"Então ele começou a me arrastar pela rua até o Wendy's, e eu sou grato, mas o chão estava coberto de cacos de vidro. Em seguida, ele me arrastou para fora, enquanto eu era cortado. Minha bunda, minhas costas, minhas pernas, mas eu não sentia dor, sentia apenas todo o sangue escorrendo de mim mesmo e de outras pessoas", relatou.

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