Exército israelense admite possível morte por engano de adolescente palestino

Em Ramallah

O Exército de Israel admitiu nesta terça-feira (21) que pode ter matado por engano um adolescente palestino de 15 anos, ao abrir fogo contra pessoas que atiravam pedras e bombas incendiárias na Cisjordânia.

Mahmud Badran morreu ao ser atingido por tiros dos soldados israelenses. Outros quatro palestinos ficaram feridos na estrada 443, segundo a agência de notícias palestina Wafa.

Os soldados israelenses atiraram para acabar com os ataques de pedras e artefatos incendiários contra veículos que circulavam pela 443, perto da localidade de Beit Sira na Cisjordânia, segundo o exército.

Em um primeiro momento, o Exército israelense afirmou que Mahmud Badran e os quatro feridos atiravam pedras coquetéis molotov em uma estrada de Cisjordânia por onde circulam israelenses.

Mas na manhã desta terça-feira, uma porta-voz do Exército israelense afirmou à AFP que "segundo os primeiros elementos da investigação, parece que pedestres alheios aos incidentes foram atingidos por engano".

O adolescente morto estava entre os pedestres, assim como os feridos, segundo a porta-voz, que citou duas detenções.

A estrada 443, cenário de incidentes frequentes, é utilizada pelos israelenses para deslocamentos entre Jerusalém e Tel Aviv.

A via, muito vigiada pelas forças israelenses, tem 12 quilômetros dentro da Cisjordânia, território palestino ocupado há quase 50 anos.

Jovens palestinos costumam lançar projéteis contra os veículos com placa israelense.

O ministério palestino da Saúde informou que o Exército israelense matou um jovem e feriu outros quatro, sendo que três deles estão em condição crítica.

Em um comunicado, o Ministério palestino das Relações Exteriores denunciou um "crime odioso".

"É uma nova prova de que o governo de (Benjamin) Netanyahu é um governo de extremistas que a cada dia aplica o pior terrorismo de Estado contra o povo palestino", completa a nota.

O motivo da presença de Badran e dos feridos no local não foi divulgado. Durante o Ramadã, com frequência os residentes palestinos passam a noite na rua após a ruptura do jejum.

As organizações de defesa dos direitos humanos acusam Israel de usar de forma excessiva a força contra os palestinos.

Durante a noite, soldados israelenses demoliram a casa da família de um palestino que foi morto em março após um ataque com faca durante a visita do vice-presidente americano Joe Biden em Israel.

No dia 8 de março, Bashar Masalha, 22 anos, matou um turista americano de 29 anos e feriu vários israelenses em um bairro turístico de Tel Aviv.

As tropas israelenses destruíram o apartamento da família, que fica no segundo andar de um edifício de três pavimentos, na localidade de Haja, norte da Cisjordânia.

O governo justifica as destruições de casas com o objetivo de encerrar a atual onda de violência, mas alguns comandantes das forças de segurança questionam sua eficácia.

Desde o início do atual ciclo de violência em Israel e nos territórios palestinos, morreram 209 palestinos, 32 israelenses, dois americanos, um eritreu e um sudanês.

Segundo as autoridades israelenses, a maioria destes palestinos morreu em ataques com facas, armas de fogo ou lançando veículos contra israelenses.

Outros morreram em confrontos com as forças de segurança ou vítimas de ataques aéreos israelenses na faixa de Gaza.

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