Merkel: UE é suficientemente forte para sobreviver ao Brexit

Berlim, 28 Jun 2016 (AFP) - A União Europeia é suficientemente forte para sobreviver à saída do Reino Unido, afirmou nesta terça-feira a chanceler alemã, Angela Merkel, ante os deputados alemães.

"A UE é suficientemente forte para superar a saída do Reino Unido, é suficientemente forte para seguir adiante inclusive com 27 membros", declarou antes de uma reunião de cúpula crucial europeia desta terça e quarta-feira em Bruxelas, onde os dirigentes se reunirão pela primeira vez durante uma parte de seus debates sem o Reino Unido.

"Qualquer proposta (dos Estados membros) que permita uma saída da crise da UE mantendo os 27 é bem-vinda", disse.

"O objetivo deve ser o de chegar a um resultado comum, no mais tardar para o 60º aniversário do Tratado de Roma, em março do ano que vem", acrescentou, em referência ao documento fundador do projeto europeu.

Na segunda-feira, Merkel, o presidente francês François Hollande e o presidente do Conselho italiano, Matteo Renzi, anunciaram sua vontade de propor um "novo impulso" do projeto europeu, em especial nos temas de "defesa, crescimento, emprego e competitividade".

Quanto ao Reino Unido, embora Merkel tenha voltado a se mostrar compreensiva sobre a data escolhida por Londres para depositar sua petição formal de saída da UE, também informou claramente que os britânicos não podem esperar manter privilégios sem ter obrigações.

"Garantiremos que as negociações não se desenvolverão segundo o princípio de 'seleção a la carte'. (...) deve ser feita uma diferença entre ser membro ou não da família da UE", insistiu a líder alemã.

"Quem sai da família não pode esperar que todas as suas obrigações desapareçam e que seus privilégios sejam mantidos", disse.

Merkel afirmou especialmente que, se o Reino Unido quiser guardar um acesso ao mercado único, deverá respeitar seus princípios, sobretudo o da livre circulação de pessoas, um direito contra o qual os partidários do Brexit fizeram campanha devido à imigração.

A líder descartou novamente iniciar as negociações enquanto Londres não tiver depositado formalmente seu pedido de saída, uma tarefa que o primeiro-ministro David Cameron deixou para seu sucessor que será designado até 2 de setembro.

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