Mesmo em desvantagem nas pesquisas, Trump promete vencer Hillary

Washington, 24 Out 2016 (AFP) - O candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, desafiou nesta segunda-feira a grande maioria das pesquisas de opinião, declarando que está vencendo contra Hillary Clinton, que saiu à caça dos indecisos a duas semanas das eleições presidenciais americanas.

"Estamos ganhando, estamos ganhando!" - afirmou Trump em Saint Augustine, Flórida, acrescentando que esta marcha vitoriosa não se limitava a este estado do sul do país. "Estamos vencendo não só na Flórida, mas em todos os lugares", afirmou.

De acordo com Trump, sua campanha se encaminha para uma vitória que "será maior do que o Brexit", em alusão ao referendo surpreendente que determinou a saída do Reino Unido da União Europeia, contrariando todas as previsões.

O milionário de 70 anos fazia nesta segunda-feira uma maratona de reuniões e atos públicos na Flórida, onde, segundo pesquisas, aparece alguns pontos percentuais atrás de Hillary.

Em seu discurso em Saint Augustine, Trump voltou a atacar a imprensa, à qual acusa de favorecer abertamente a candidata democrata.

"Sem a desonestidade da imprensa, Hillary Clinton não seria nada. (Os meios de comunicação) São uma desgraça. Lembrem disso".

Trump, que há duas semanas denuncia que as eleições são "manipuladas" pela imprensa, acusou nesta segunda-feira o Partido Democrata de impulsionar pesquisas com dados falsos que mostrariam a vantagem de Hillary.

Mais que uma eleiçãoEnquanto isso, Hillary Clinton participava de um ato público em New Hampshire, onde parecia concentrada em convencer os eleitores que ainda não decidiram seu voto.

"Para mim, isto é muito mais do que apenas vencer uma eleição. Trata-se de definir o tipo de país que queremos para nossos filhos e netos (...), definir o tipo de mensagem que queremos transmitir aos nossos filhos e filhas", disse a ex-secretária de Estado nesta segunda-feira, durante um comício em Manchester, New Hampshire (nordeste).

O discurso foi apresentado pela senadora Elizabeth Warren, uma influente figura da ala mais progressista do Partido Democrata e que no ano passado chegou a ser considerada uma candidata em potencial.

Em nível nacional, Clinton tem uma vantagem de seis pontos percentuais sobre Trump, segundo o grupo RealClearPolitics, que elabora uma média de todas as pesquisas.

Uma medição da rede ABC News, por exemplo, mostrou Clinton com vantagem de 12 pontos percentuais (50% a 38%). Uma pesquisa da rede CNN atribui a Hillary uma vantagem de 49% a 44%.

Além disso, a ex-senadora encabeça as preferências nos estados onde a disputa é mais apertada, inclusive a Flórida.

Enquanto isso, o presidente Barack Obama celebrava em Los Angeles a vantagem de Hillary nas pesquisas, mas destacou que a situação era "volátil" e que "não podemos ter nada como certo. A disputa na Flórida e em Ohio continua muito apertada".

"Queremos evencer em grande estilo. Especialmente ao ver que esse cara (Trump) já começou a se queixar de que há fraude nas eleições", disse o presidente durante ato de arrecadação de fundos para o partido.

Voto antecipadoSegundo Michael McDonald, especialista da Universidade da Flórida, seis milhões de americanos já teriam votado.

Os votos antecipados são contados apenas no início da eleição oficial, mas uma análise dos eleitores que tomaram esta iniciativa sugere uma vantagem para Hillary Clinton, destacou McDonald em um artigo publicado no fim de semana.

A maioria das pesquisas atribui à candidata uma vantagem apertada, mas clara sobre Donald Trump na Flórida.

Em Chicago, Illinois, Hanna Widlus, de 61 anos, depositou seu voto em Hillary em um centro de votação lotado.

"Agora nada pode dar errado. Já votei", disse Widlus à AFP.

Normalmente, ela não costuma votar antecipadamente, mas decidiu fazê-lo impulsionada pelas "circunstâncias" da eleição presidencial do próximo mês.

Nas eleições presidenciais de 2012, quase um terço de todos os votos foram emitidos antecipadamente.

A equipe de campanha de Hillary Clinton quer que nesta eleição o número seja ainda maior e a forma como se propõe a consegui-lo é aumentando a ação dirigida aos eleitores indecisos.

Este esforço é particularmente crítico em estados onde a disputa se mostra mais apertada, como em Flórida, Nevada e Carolina do Norte.

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