Evangélico prestes a conquistar prefeitura do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro, 28 Out 2016 (AFP) - O Brasil celebra no domingo o segundo turno das eleições municipais, após a forte derrota no primeiro turno do Partido dos Trabalhadores (PT) do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com foco no Rio de Janeiro, onde o bispo evangélico licenciado Marcelo Crivella é o favorito.

Ainda precisam ser eleitas as autoridades de 55 cidades - entre elas 18 das 26 capitais dos estados - onde nenhum candidato obteve a maioria dos votos no primeiro turno, realizado no dia 2 de outubro.

E, pela primeira vez desde que o sistema de segundo turno começou a ser aplicado, em 1992, a capital econômica do país, São Paulo, não precisará votar novamente após a vitória de João Dória, do PSDB, substituindo Fernando Haddad, do PT.

Atingido pelas acusações de corrupção envolvendo a mega-fraude da Petrobras, o partido de esquerda que governou o Brasil desde 2003 até o recente impeachment de Dilma Rousseff já perdeu quase dois terços das prefeituras que havia ganhado em 2012.

Atualmente, disputa apenas uma capital, Recife, com João Paulo, enquanto o candidato rival, o atual prefeito Geraldo Julio (PSB), registrou quase o dobro de votos no primeiro turno.

Estas eleições foram um grande incentivo ao presidente Michel Temer em seu primeiro teste nas urnas depois de substituir Dilma, num momento em que planeja um forte ajuste fiscal: seu partido, o PMDB, permaneceu na liderança e foi o que mais ganhou prefeituras no primeiro turno.

De fato, não são esperadas grandes surpresas no domingo.

E o Rio de Janeiro é a cidade que reúne todas atenções.

Evangélicos querem a "Cidade Maravilhosa"A cidade do carnaval e do samba, afundada em uma profunda crise econômica e de segurança, vive uma disputa polarizada entre dois candidatos antagônicos, duas formas de conceber a política e a cidade em sua fase pós-olímpica.

De um lado está o senador conservador e bispo evangélico licenciado Marcelo Crivella, de 59 anos, que promete uma linha dura contra o crime; do outro do espectro, o professor e político Marcelo Freixo, de 49 anos, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), formado por dissidentes do PT, que aposta em uma cidade mais inclusiva e progressista.

Apesar das várias polêmicas enfrentadas por Crivella durante a campanha - como a publicação de fotos onde exorcizava católicos quando era missionário na África, na década de 90, ou declarações da época sobre o "mal terrível" da homossexualidade - todas as pesquisas o apontam como claro vencedor, com uma enorme vantagem sobre Freixo.

"No debate público parece que Crivella se opõe aos métodos da esquerda tradicional, mas dá a impressão de que ninguém se lembra de que foi ministro da Pesca de Dilma (entre 2012 e 2014). Ele, na realidade, não tem um programa para repensar a cidade, simboliza simplesmente a influência e a inserção da religião na política", disse à AFP o professor Ivar Hartmann, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro.

A vantagem do sobrinho do polêmico fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (neopentecostal), Edir Macedo, é explicada por um "doutrinamento dos evangélicos cada vez maior nas comunidades de classe média ou média baixa", evidenciado em pequenas igrejas espalhadas por todas as favelas do Rio, estima o analista.

E, no país com mais católicos do mundo, também se inclui em um contexto de expansão do culto evangélico, com uma poderosa bancada no Congresso.

Mudanças em escolas ocupadas por estudantesPara além dos programas eleitorais, a eleição de domingo precisará lidar com a ocupação de mais de 1.000 escolas em todo o país por alunos do ensino médio que protestam contra as reformas de Temer.

Estas ocupações fizeram com que cerca de 200 colégios eleitorais precisassem ser transferidos a outros lugares no Paraná, onde os protestos começaram há um mês.

Forças federais também foram enviadas a Curitiba e a outras duas cidades deste estado para reforçar sua segurança, assim como ao Rio de Janeiro, São Luís e Fortaleza.

Em eleições encaradas como um termômetro para as presidenciais de 2018, tudo indica que a forte abstenção registrada no dia 2 de outubro, de 17,5%, será outra das protagonistas de domingo no país.

Após o escândalo da Petrobras, que atingiu importantes figuras de todos os partidos, "surgiu um desgosto com a classe política, uma rejeição quase unânime dos cidadãos à maneira de fazer política no Brasil", conclui Hartmann.

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