Ofensiva rebelde avança com dificuldade na cidade síria de Aleppo

Alepo, Síria, 31 Out 2016 (AFP) - A ofensiva rebelde no oeste de Aleppo avançava com dificuldade nesta segunda-feira diante da resistência das tropas governamentais, que mantêm seu cerco aos bairros rebeldes do leste, enquanto a ONU condenou o alto número de vítimas civis provocado pelos confrontos.

Desde sexta-feira, os insurgentes realizam uma ofensiva lançada a partir do exterior da cidade, do oeste, para romper o cerco imposto pelo regime de Bashar al-Assad aos bairros rebeldes, onde vivem mais de 250.000 pessoas, segundo a ONU, privadas de ajuda humanitária desde julho.

Os combates se concentram na periferia oeste de Aleppo, atacada por mais de 1.500 combatentes provenientes das províncias de Aleppo e Idlib (noroeste).

"Os combates diminuíram de intensidade", disse nesta segunda-feira à AFP Rami Abdel Rahman, diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), ressaltando que os bombardeios aéreos nas linhas de frente "prosseguiam, mas não eram tão intensos".

O controle de Aleppo, dividida desde 2012 em um setor leste, nas mãos dos rebeldes, e nos bairros do oeste, governados pelo regime, é de uma importância estratégica para os beligerantes nesta guerra, que deixou mais de 300.000 mortos desde 2011.

"Desde domingo, é o regime quem inicia os combates", disse Rami Abdel Rahman, ressaltando que a única missão cumprida pelos rebeldes teria sido retomar "o controle de alguns setores de Dahiyet al Asad".

Na sexta-feira, os insurgentes conseguiram controlar a maior parte deste bairro governamental do sudoeste de Aleppo, próximo a uma importante academia militar, antes de recuar parcialmente ante uma contraofensiva do regime.

"A ofensiva dos rebeldes diminuiu desde que não conseguiram tomar o controle do chamado bairro dos '3.000 apartamentos' e do complexo militar", indicou nesta segunda-feira à AFP uma fonte militar pró-regime.

- Possíveis 'crimes de guerra' -Desde sexta-feira, ao menos 48 civis, incluindo 17 crianças, foram abatidos pelas centenas de foguetes e morteiros lançados pelos rebeldes contra os bairros do oeste, segundo um novo balanço do OSDH.

O enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, criticou estes disparos e mencionou possíveis "crimes de guerra".

"Os que defendem que se trata de mitigar o cerco de Aleppo Leste deveriam lembrar que nada justifica o uso de armas desproporcionais e sem discriminação, incluindo armas pesadas, em setores habitados por civis", declarou no domingo.

Os combates deixaram ao menos 72 mortos entre os rebeldes e 61 entre as fileiras do regime e os combatentes que lutam junto delas, segundo o OSDH.

Os insurgentes tentam avançar ao bairro de Hamdaniyé, nas mãos do governo, que faz fronteira com os bairros rebeldes sitiados pelo regime. Sua conquista permitiria romper o cerco ao abrir caminho às zonas controladas pelos insurgentes nos arredores de Aleppo.

Dezenas de civis - principalmente mulheres e crianças - fugiram no domingo do bairro de Dahiyet al Asad, levando consigo seus poucos pertences em sacos plásticos, informou um correspondente da AFP.

Por outro lado, os combates prosseguiam em um povoado a oeste de Aleppo, Minyane, segundo o OSDH.

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