Manifestações na RDC fizeram ao menos 40 mortos

Genebra, 23 dez 2016 (AFP) - Pelo menos 40 pessoas foram mortas e 460 outras presas na República Democrática do Congo (RDC) esta semana durante manifestações em várias cidades contra a permanência no poder do presidente Joseph Kabila.

"Durante a semana, o Escritório Conjunto das Nações Unidas para os Direitos Humanos na RDC (BCNUDH) documentou pelo menos 40 assassinatos de civis em Kinshasa, Lubumbashi, Matadi e Boma, principalmente entre pessoas protestando contra a recusa do presidente Joseph Kabila de deixar o governo ao final de seu mandato, em 19 de dezembro", indicou a ONU em um comunicado.

Além disso, 107 pessoas ficaram feridas ou sofreram maus-tratos, e pelo menos 460 pessoas foram presas, segundo uma porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Liz Throssell, durante uma coletiva de imprensa.

Em 20 de dezembro, 13 civis foram mortos em Kinshasa por membros das forças de defesa e segurança, e ela.

No mesmo dia em Lubumbashi, pelo menos 8 homens e 2 crianças foram mortas e pelo menos 60 pessoas ficaram feridas pelas forças de segurança.

"Esses números elevados indicam que as várias forças da polícia, da defesa e segurança não levam em conta a necessidade de exercer alguma contenção durante as manifestações", afirmou o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein.

O dia 20 de dezembro de 2016 inquietava a vida política do país africano há meses. A data marcou o final do mandato de Kabila - que está no poder desde 2001, quando substituiu seu pai -, a quem a Constituição impede de voltar a disputar eleições.

Porém, a eleição presidencial que deveria definir um sucessor não ocorreu, e Kabila, 45 anos, pretende se manter no poder até que alguém seja eleito para substituí-lo.

Os críticos de Kabila o acusam de ter orquestrado o adiamento da eleição e, assim, tentar alterar a Constituição para poder se candidatar à reeleição.

A RDC está mergulhada em uma crise política desde a questionada reeleição de Kabila em 2011, depois de uma votação marcada por fraudes em massa.

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