Brasil, Panamá, Coreia do Sul: 2016 foi o ano marcado pela corrupção

Panamá, 28 dez 2016 (AFP) - A revelação dos Panama Papers e os impeachments das presidentes brasileira e sul-coreana marcaram um ano de 2016 anos de escândalos de corrupção e má-gestão de recursos públicos, que provocaram indignação.

Difícil saber se os protestos em massa provocados por todos estes casos são sinal de um despertador, de uma maior consciência a respeito deste flagelo.

"É um fenômeno novo", diz José Ugaz, um advogado peruano e presidente do conselho administrativo da Transparência Internacional, uma organização dedicada a monitorar a corrupção.

"O que vemos hoje é muito diferente do que vimos há 27 anos", quando a Transparência foi criada, porque agora "vemos uma mobilização da população".

Em última análise, "acredito que tenha sido um ano difícil, mas ao mesmo tempo, dá esperança para o futuro", disse ele.

O escândalo dos Panama Papers, que eclodiu em abril, foi um poderoso detonador: cerca de 11,5 milhões de documentos do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca foram tornados públicos, revelando um vasto sistema de evasão fiscal envolvendo políticos, atletas e bilionários do mundo todo.

Entre as celebridades citadas estavam o jogador argentino Lionel Messi, o cineasta espanhol Pedro Almodóvar e o astro de cinema Jackie Chan... Mas também mais de 140 políticos e funcionários públicos, incluindo a família do presidente argentino Mauricio Macri.

As revelações forçaram o primeiro-ministro islandês a renunciar, embaraçaram David Cameron, então líder do governo britânico, e provaram que parceiros do presidente russo Vladimir Putin esconderam bilhões de dólares no exterior.

Os Panama Papers também continham informações sobre a China, principalmente sobre o cunhado do presidente Xi Jinping... mas elas foram abafadas na imprensa local, apesar do grande expurgo da classe política ordenada pelo presidente, com mais um milhão de funcionários punidos por corrupção.

"Há um duplo padrão" em favor dos descendentes da elite do Partido Comunista, explica Willy Lam, professor de ciência política na Universidade Chinesa de Hong Kong.

'O poder da transparência'Mas, de forma geral, "a publicação dos Panama Papers nos lembra do poder da transparência", estimou em maio o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, em uma cúpula de combate à corrupção em Londres.

Ele lembrou que "a corrupção simplesmente rouba os pobres". Estimativas recentes mostraram que entre 1,5 e 2 bilhões de dólares são pagos anualmente em subornos no mundo.

Daí a necessidade de uma reação popular como no Brasil, onde milhões de pessoas foram para as ruas para protestar contra o grande escândalo de corrupção em torno da companhia petrolífera Petrobras, que envolve toda a classe política brasileira.

Ironicamente, embora a presidente Dilma Rousseff não fosse alvo de qualquer acusação de corrupção, ela foi a primeira vítima desta exasperação geral e foi destituída no final de agosto.

Mas os escândalos não atingem apenas os políticos.

Em meados do mês, autoridades americanas informaram que Odebrecht e sua filial petroquímica, Braskem, concordaram em pagar multa recorde de US$ 3,5 bilhões para resolver um amplo processo de pagamento de propina a funcionários dos governos de Brasil, EUA e Suíça, vinculado às investigações da Operação Lava-Jato.

E faltando poucos dias para terminar o ano, o governo do Panamá anunciou que a Odebrecht não poderá participar de futuras licitações públicas depois que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos concluiu que a empreiteira brasileira também recorreu ao pagamento de propinas em nove países latino-americanos para obter contratos.

Em todo o mundo, o cenário se repete: um escândalo de corrupção envolvendo os mais altos escalões do poder e nas ruas, milhões de pessoas expressando seu desagrado com a classe política.

Desta forma, a Coreia do Sul tem sido varrida por uma onda de protestos provocada por um vasto escândalo de desfalque, que levou ao impeachment da presidente Park Geun-hye, acusada de cumplicidade em um caso de extorsão e abuso poder com grupos industriais, como a Samsung.

E na Malásia, o primeiro-ministro Najib Razak bloqueou as investigações contra ele, mas não conseguiu impedir que dezenas de milhares de cidadãos protestassem para exigir sua renúncia.

O único que parece resistir a este vento mundial de contestação é o sul-africano Jacob Zuma, justamente apelidado de "presidente Teflon" por sua capacidade de atravessar as diversidades.

Apesar da ameaça da reabertura de 783 acusações de corrupção, ele pretende se manter à frente do país até o final de seu mandato, em 2019.

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