Trump adverte o Irã e fala de acordo nuclear 'desastroso'

Washington, 2 Fev 2017 (AFP) - O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira ter advertido formalmente o Irã por seu recente teste de míssil, uma ação estimulada, segundo ele, pelo "desastroso" acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano.

"O Irã foi formalmente ADVERTIDO por ter lançado um míssil balístico. Deveria agradecer ao desastroso acordo que os Estados Unidos assinaram com eles!", afirmou Trump no Twitter, repetindo os comentários similares do assessor de Segurança Nacional, Michael Flynn, na quarta-feira.

Nem Trump, nem Flynn esclareceram que consequências poderá ter a advertência em termos práticos.

"O Irã estava exausto e quase desabando até que chegaram os Estados Unidos e o salvaram com o acordo: 150 bilhões de dólares", acrescentou o presidente em seu tuíte, referindo-se ao total que, segundo ele, representam as sanções levantadas em troca do acordo nuclear alcançado em junho de 2015 pelas seis grandes potências mundiais.

"A advertência do governo americano ao Irã é sem fundamento e provocadora", respondeu o porta-voz da chancelaria iraniana, Bahram Ghasemi, citado pela agência estatal Irna.

Segundo Ghasemi, as observaações de Flynn acontecem num "momento em que os esforços da República Islâmica do Irã na luta contra os grupos terroristas no Oriente Médio são conhecidos por todos.

"É lamentável que a administração americana, invés de apreciar a nação iraniana por sua luta sem descanso contra o terrorismo, ajude na prática os grupos terroristas, repetindo as mesmas observações sem fundamento e adotando medidas incabidas", acrescentou.

Na véspera, o ministro da Defesa iraniano, general Hossein Dehghan, confirmou a realização de um teste de míssil, denunciado pelos Estados Unidos, e afirmou que isso não constitui uma violação do acordo nuclear.

"Esta ação não está em contradição com o acordo nuclear, nem com a resolução 2231" que o ratificou, declarou Dehghan, acrescentando que o teste ocorreu no âmbito "do prosseguimento no programa defensivo" do Irã.

A resolução 2231 pede ao Irã que não realize qualquer atividade vinculada a mísseis balísticos capazes de transportar uma ogiva nuclear.

O Irã sempre afirmou que seus mísseis não são concebidos para levar armas nucleares.

"Temos um programa para produzir equipamentos defensivos dentro de nossos interesses nacionais e ninguém pode influenciar nossa decisão", acrescentou.

A nova embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, declarou, por sua vez, que o teste com mísseis balísticos de médio alcance, realizado pelo Irã no último fim de semana, é algo "absolutamente inaceitável".

"Teerã sabe que não deve fazer testes de mísseis balísticos", disse Haley.

O míssil lançado no domingo é capaz de levar uma carga útil de 500 kg e tinha um alcance de 300 km, descreveu a embaixadora ante o Conselho de Segurança reunido para debater o tema.

Na terça-feira, sem mencionar ou confirmar o teste, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohamad Javad Zarif, havia alertado os Estados Unidos para não criar "novas tensões" por causa do programa de mísseis balísticos do Irã.

"Esperamos que a questão do programa de defesa do Irã [...] não seja utilizada como um pretexto" pela nova administração americana para "provocar novas tensões tensões", declarou Zarif.

A União Europeia também expressou sua preocupação quanto ao programa de mísseis iraniano e pediu que Teerã não "aprofunde as desconfianças" realizando testes balísticos.

Além dos Estados Unidos, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, denunciou o lançamento do míssil balístico iraniano e informou que trataria deste assunto com o presidente americano no encontro previsto para acontecer em 15 de fevereiro em Washington.

A Rússia foi o único país a reagir a favor do Irã a respeito do suposto teste de mísseis, ao afirmar que a reunião de emergência do Conselho de Segurança é uma "tentativa de envenenar a situação".

Nos últimos meses, o Irã fez uma série de lançamentos de testes de mísseis. Washington disse estar ciente da atividade.

A tensão entre Teerã e Washington, que romperam relações diplomáticas em 1980 depois da Revolução Islâmica de 1979, se acentuou depois da posse de Trump.

Criticando a atitude do ex-presidente democrata Barack Obama a respeito da República Islâmica, a Casa Branca expressou sua vontade de mostrar maior firmeza ante o Irã, apesar de manter vagas as eventuais medidas que diz que serão tomadas.

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