Milhares de judeus ultraortodoxos protestam em Israel contra serviço militar

Jerusalém, 28 Mar 2017 (AFP) - Milhares de judeus ultraortodoxos protestaram nesta terça-feira em Jerusalém contra o serviço militar obrigatório e o perigo da perversão que ele representa para os jovens, segundo eles.

"O Estado de Israel persegue os judeus", proclamava uma das faixas dos manifestantes, todos homens vestidos com o traje típico ultraortodoxo, chapéu e terno preto sobre uma camisa branca.

"O recrutamento é o Holocausto para o judaísmo da Torá", o ensinamento divino segundo a tradição judaica, versava outro cartaz.

"Melhor uma bala no corpo do que ir para o exército", disse à AFP Aaron Roth, de 45 anos, um dos manifestantes com uma longa barba preta.

A manifestação, cercada por um grande esquema de segurança, foi organizada perto do centro de Jerusalém por um sector ultraortodoxo radical.

Eles seguem em estrita conformidade as regras do judaísmo na vida cotidiana e espiritual. Consideram o recrutamento como uma fonte de tentação para os jovens fora do mundo fechado de oração e estudo religioso.

O setor mais absolutista que organizou a manifestação se recusa a reconhecer o Estado de Israel, reconhecendo apenas como Estado aquele que seria estabelecido por Deus.

Obrigatório salvo exceções, o serviço militar, de dois anos e oito meses para os homens e dois anos para as mulheres, é uma fonte constante de tensão para os ultraortodoxos, que representam cerca de 10% da população israelense.

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