Papa viaja ao Egito para uma visita de unidade e fraternidade

Cairo, 28 Abr 2017 (AFP) - O papa Francisco afirmou nesta sexta-feira, pouco antes de aterrissar no Cairo, que sua viagem ao Egito visa à "unidade e fraternidade".

O pontífice argentino afirmou aos jornalistas que o acompanham no avião que seu esperado encontro com o xeque de Al Azhar, Ahmed al Tayeb, é "um exemplo e um modelo de paz porque precisamente será um encontro para o diálogo".

O papa Francisco chega ao Egito em un contexto marcado pela situação dramática dos cristãos no Oriente Médio devido às ameaças de atentados.

"Eu me sinto realmente feliz de ir como amigo, como mensageiro da paz e como peregrino ao país que há dois mil anos deu refúgio e hospitalidade à Sagrada Família, que fugia das ameaças do Rei Herodes", afirmou Francisco em uma mensagem de vídeo enviada antes de sua partida.

Ao chegar à capital egípcia, Francisco fará uma breve visita ao palácio presidencial para saudar o chefe de Estado, Abdel Fatah Al Sisi.

Criticado no exterior por violações dos direitos humanos, Sisi demonstrou certa abertura à comunidade cristã egípcia desde que chegou ao poder em 2014.

Ele foi o primeiro presidente do Egito a participar de uma missa de Natal, em 2015.

O presidente prometeu aos coptas identificar os responsáveis pelos atentados reivindicados pelo grupo Estado Islâmico (EI) contra as igrejas em Tanta e Alexandria, que mataram 45 pessoas no início da Semana Santa, em 9 de abril.

A visita do Papa, que durará apenas 27 horas, será cercada por um forte esquema de segurança, enquanto o país segue em estado de emergência após os sangrentos atentados de 9 de abril contra duas igrejas coptas.

No entanto, Francisco não quer se locomover em carro blindado, segundo o porta-voz da Santa Sé, Greg Burke, que afirma confiar no plano de segurança desenvolvido pelo ministério egípcio do Interior.

O papa de 80 anos vai se reunir com o grande imã sunita de Al-Azhar, xeque Ahmed al-Tayeb, um professor de filosofia islâmica de 71 anos muito crítico dos jihadistas e que visitou o Vaticano em maio de 2016 após dez anos de relações frias.

A universidade de Al-Azhar, instituição de referência do Islã sunita, também organiza nesta sexta uma conferência para a paz, onde o papa discursará como um mero "participante", logo após o imã.

O líder espiritual de quase 1,3 bilhão de católicos finalmente se reunirá na sexta-feira com o papa copta ortodoxo do Egito, Tawadros II. Eles vão visitar a igreja copta de São Pedro e São Paulo, onde um atentado a bomba matou 29 vítimas em dezembro, no coração do Cairo.

No sábado, o pontífice celebrará uma missa e se encontrará com a comunidade católica egípcia de menos de 300.000 fiéis.

Os coptas, de tradição ortodoxa, representam cerca de 10% dos 92 milhões de egípcios. Sua história remonta aos primórdios do cristianismo.

A visita do papa ao Cairo visa, muito particularmente, consolidar as relações entre Al-Azhar e o Vaticano, tensas a partir de 2006, em razão das polêmicas declarações do papa Bento XVI associando o Islã e a violência.

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