EUA dizem que Síria usa "crematório" para ocultar massacres

Em Washington

  • Department of State/DigitalGlobe/Handout via Reuters

    15.mai.2017 - Imagem de satélite do complexo de Sednaya, próximo a Damasco, na Síria, com o prédio principal e o provável crematório

    15.mai.2017 - Imagem de satélite do complexo de Sednaya, próximo a Damasco, na Síria, com o prédio principal e o provável crematório

O governo da Síria teria instalado um crematório no complexo penitenciário de Saidnaya, ao norte de Damasco, para destruir os corpos de milhares de prisioneiros executados nos últimos anos, denunciaram os Estados Unidos nesta segunda-feira (15).

Stuart Jones, sub-secretário interino do Departamento de Estado para o Oriente Médio, apresentou a jornalistas imagens de satélites que aparentemente mostram a neve derretendo no teto dessas instalações.

"A partir de 2013, o regime sírio modificou um edifício no complexo de Saydnaya para o que acreditamos ser um crematório", declarou o funcionário.

"Apesar de muitas atrocidades cometidas pelo regime já terem sido documentadas, acreditamos que a construção de um crematório é um esforço para encobrir a extensão dos massacres em Saydnaya", ressaltou.

Ele acusou a Síria de cometer "assassinatos em massa" e pediu que o governo do presidente Bashar al-Assad acabe com "essas atrocidades".

Jones indicou que a informação sobre o crematório chegou ao conhecimento de Washington por meio de agências humanitárias e pela "comunidade americana de inteligência".

Segundo ele, até 50 pessoas seriam enforcadas diariamente nesta prisão.

Jones não forneceu um número concreto de vítimas, mas mencionou um estudo da organização Anistia Internacional que estima entre 5.000 e 11.000 o número de mortos nesta prisão entre 2011 e 2015.

Neste mesmo período, o governo de Assad teria aprisionado entre 65.000 e 117.000 pessoas.

A foto de satélite mais recente apresentada por Jones data de 2015. O funcionário não explicou o porquê da demora em mostrar essas imagens.

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