China convida oncologistas estrangeiros para examinar o Nobel dissidente Lix Xiaobo

Pequim, 5 Jul 2017 (AFP) - O hospital chinês que trata o dissidente e prêmio Nobel da Paz Liu Xiaobo convidou oncologistas estrangeiros para participar em seu tratamento na China, em meio a pressões internacionais para que o ativista seja autorizado a viajar para fora do país.

O gabinete de assuntos judiciais de Shenyang, cidade do nordeste da China onde Liu está hospitalizado há um mês, explicou que o convite aos oncologistas estrangeiros foi realizado a pedido da família do dissidente.

Vários países ocidentais solicitaram a Pequim que Liu receba autorização para viajar ao exterior em busca de atendimento para sua doença terminal, um pedido respaldado por ONGs e parentes do escritor.

Condenado em 2009 a 11 anos de prisão por "subversão", Liu, de 61 anos, saiu da prisão no mês passado, depois de ter sido diagnosticado com um câncer de fígado em fase terminal.

O governo de Pequim foi muito criticado por grupos de defesa dos direitos humanos pelo tratamento a Liu e por ele ter sido liberado apenas depois do diagnóstico de um câncer em estágio avançado.

As autoridades chinesas alegam que o dissidente foi tratado por grandes oncologistas do país no hospital de Shenyang.

Os especialistas do centro médico determinaram em 7 de junho que Liu sofre um câncer de fígado com metástase no restante do corpo

Várias organizações de defesa dos direitos humanos afirmam que a libertação do dissidente não foi um gesto humanitário, e sim uma decisão para evitar a repercussão desastrosa para Pequim da morte na prisão de um opositor famoso.

O ativista se tornou em 2010 o primeiro chinês a receber o Nobel da Paz.

Liu Xiaobo é uma figura do movimento democrático da Praça Tiananmen (Paz Celestial), em 1989.

Desde 2009 cumpria pena de 11 anos de prisão por "subversão", por ter sido um dos autores da Carta 08, um texto que pedia democracia na China.

O convite aos oncologistas estrangeiros coincide com a viagem do presidente chinês Xi Jinping a Alemanha, onde ele desembarcou na terça-feira para participar, na sexta-feira e sábado, da reunião do G20 em Hamburgo.

"Parece que as autoridades chinesas estão respondendo com este tipo de gesto às pressões internacionais", disse à AFP Patrick Poon, pesquisador da Anistia Internacional.

Mas ele destacou que Liu e sua mulher, a poeta Liu Xia, deixaram claro que desejam um tratamento no exterior.

"O governo chinês deveria respeitar seu desejo e não limitar-se a gestos para enfrentar as críticas" disse Poon.

Amigos de Liu e sua mulher temem que o dissidente tenha pouco meses de vida. Hu Jia, um famoso ativista que está em prisão domiciliar em Pequim, afirmou à AFP que o tratamento de Liu tem como objetivo reduzir a dor.

"Talvez possa viver mais seis meses. Mas é difícil mudar o resultado de que o vencedor do prêmio Nobel morre pela perseguição do Partido Comunista da China", disse.

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