Catalães votam maciçamente após dois meses de impasse

Barcelona, 21 dez 2017 (AFP) - Os catalães compareceram em massa à votação desta quinta-feira (21) para decidir se dão oxigênio a um movimento separatista acompanhado pela justiça desde a fracassada proclamação de independência em outubro, que colocou a Espanha em sua pior crise política em 40 anos.

Os centros de votação fecharam nesta quinta-feira às 20H00 do horário local (17H00 horário de Brasília). Mais de 5 milhões de catalães foram convocados a votar nessas eleições realizadas em dia de trabalho, algo incomum na Espanha. Apesar disso, a participação foi mais alta do que em 2015, quando já tinha batido recorde.

Às 18h locais (15h em Brasília), duas horas antes do fechamento das urnas, mais de 68% dos eleitores haviam votado. Estima-se que a participação será determinante, especialmente na periferia de Barcelona, pouco favorável ao separatismo.

Com um de seus principais líderes na prisão, Oriol Junqueras, e o outro, o presidente destituído Carles Puigdemont, na Bélgica, os separatistas buscam revalidar a maioria absoluta parlamentar conquistada há dois anos.

O resultado deve ser apertado entre partidários e opositores à criação de uma república independente nesta região mediterrânea de 7,5 milhões de habitantes, responsável por 20% da riqueza espanhola.

O cansaço e a frustração predominam na sociedade catalã, por motivos opostos.

Muitos eleitores lembraram do ocorrido no referendo de independência de 1 de outubro, proibido pela justiça espanhola, como no liceu Ramón Llull de Barcelona, um dos locais de votação com forte presença policial.

"A lembrança desse dia está mais viva do que nunca, ainda sinto a impotência e a raiva", disse à AFP Xavier Roset, um pintor de 57 anos.

"Para mim só há duas saídas: ou a Europa intervém, ou isso de pacifismo pode acabar porque as pessoas começam a ficar muito frustradas".

- "Estou muito cansada" dessa situação -No extremo oposto, os eleitores unionistas se mobilizavam para acabar com um processo separatista que, segundo eles, fez fechar mais de 3.000 empresas da região e tem complicado as relações sociais.

"Muitos de nós pensávamos que a independência era para conquistar mais autonomia, mas que não era tão radical, tão unilateral", explicou Jaume Amargant, de 53 anos, funcionário de uma empresa de segurança, que votou em Vic, um bastião separatista a 70 Km de Barcelona.

Os pedidos diálogo aumentaram, como o de Elena Mompó, uma designer gráfica de 26 anos: "A sociedade está muito polarizada, mas acho que há muita gente como eu, que tenta evitar os extremos e pede diálogo para que a situação se acerte".

"Estou tão cansada dos políticos", desabafou Eva Ortoll, uma professora universitária de 48 anos de Calafell (Tarragona, 60 km ao sul de Barcelona). "Gostaria que muita participação e diálogo entre as duas partes, mas me parece que não há muita predisposição. Me preocupa, mas também me cansa".

As eleições foram convocadas excepcionalmente pelo governo espanhol de Mariano Rajoy depois de intervir na autonomia regional e destituir o executivo do separatista Carles Puigdemont.

Ele havia conseguido organizar em 1 de outubro um referendo de autodeterminação inconstitucional, marcado pela violência policial. Em 27 desse mesmo mês o parlamento regional proclamou uma república que ninguém reconheceu.

- ERC ou Cidadãos, prováveis ganhadores -A vitória parece se dirigir à Esquerda Republicana, o partido do vice-presidente separatista destituído Oriol Junqueras, ou ao Cidadãos (centro-direita), formação mais hostil ao nacionalismo liderado pelo jovem líder da oposição Inés Arrimadas.

A promessa do partido antinacionalista de acabar com o "pesadelo" separatista agradou os catalães contrários à separação e que se sentiram esquecidos pelo governo regional em seu ímpeto independentista.

"Espero que inundemos as urnas de votos e que seja um resultado que recordemos por muitíssimo tempo", afirmou depois de votar em Barcelona.

A campanha foi tensa e marcada pela ofensiva judicial contra os líderes separatistas, alguns na Bélgica e outros presos preventivamente por seu papel no promoção secessionista.

"Não é normal esta votação com candidatos na prisão e no exílio", disse Puigdemont de Bruxelas. "Ainda assim, é um dia muito importante, não para a Catalunha de hoje, mas para a Catalunha do futuro".

O presidente destituído lidera a candidatura Juntos pelas Catalunha (centro-direita) e concorre pela hegemonia do bloco separatista com seus parceiros da Esquerda Republicana (ERC), de seu vice-presidente Oriol Junqueras, que decidiu ficar na Espanha e agora está em prisão preventiva.

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