Alvo de críticas de Trump, número dois do FBI renuncia

Washington, 30 Jan 2018 (AFP) - O número dois do FBI, muito criticado pelo presidente Donald Trump há meses, renunciou ao cargo, confirmou nesta segunda-feira (29) uma fonte do governo americano.

Andrew McCabe, subdiretor do FBI, era desde 2016 alvo de críticas de Trump e de funcionários republicanos, que o acusavam de parcialidade a favor da oposição democrata.

Após saber da notícia, a Casa Branca declinou toda responsabilidade dimisión de McCabe, de 49 anos.

"O presidente não esteve envolvido nessa decisão", disse a porta-voz do executivo americano, Sarah Sanders.

Segundo o jornal The New York Times, McCabe esperava se manter no cargo até se aposentar, mais foi pressionado a renunciar pelo diretor do FBI, Christopher Wray.

Wray, que foi nomeado em agosto por Trump, não era favorável a incluir McCabe, funcionário de carreira do FBI, em sua equipe, indicou o jornal nova-iorquino.

O FBI não se pronunciou oficialmente. Mas segundo a imprensa local, McCabe deixará de trabalhar imediatamente, embora vá permanecer no FBI até março por razões administrativas.

Sua saída era esperada no começo deste ano, quando tornou-se elegível para se aposentar após duas décadas no FBI.

- Leal a Comey -McCabe era questionado por Trump e pelos republicanos por sua lealdade ao ex-diretor do FBI, James Comey, demitido por Trump.

McCabe e Comey tiveram papéis-chave na investigação do FBI sobre Hillary Clinton, a rival democrata de Trump nas eleições de 2016, que foi absolvida por uso indevido de um servidor de e-mail pessoal quando era secretária de Estado do presidente Barack Obama. Trump questionou muitas vezes essa decisão.

Ambos participaram também nas investigações sobre a eventual ingerência de Moscou na campanha eleitoral de 2016, que busca determinar se a equipe de Trump esteve em conluio com funcionários russos prejudicar Hillary Clinton.

Trump nega essas acusações, chamando-as de "notícias falsas" e acusando o FBI de parcialidade por continuar com a investigação, agora em mãos do procurador especial Robert Mueller, que também foi diretor do FBI.

Depois que Trump demitiu Comey em 9 de maio passado, McCabe se tornou diretor interino do FBI.

- Esposa democrata -Os republicanos também acusam McCabe de parcialidade política porque sua esposa Jill se candidatou com os democratas para uma vaga no Senado do estado de Virginia em 2015, recebendo apoio financeiro do partido.

Por esse motivo, Trump questionou em julho o procurador-geral Jeff Sessions por não ter destituído Comey.

"¿Por que o P.G. Sessions não substituiu o diretor interino do FBI Andrew McCabe, um amigo de Comey que estava encarregado pela investigação de (Hillary) Clinton, mas recebeu grandes quantias de dinheiro (700.000 dólares) pela carreira política de sua esposa por parte de Hillary Clinton e seus representantes?", tuitou o presidente.

Trump nomeou em agosto um novo diretor do FBI, Christopher Wray, mas manteve a pressão sobre McCabe.

Em dezembro voltou a tuitar sobre a esposa de McCabe e seu papel na investigação de Hillary Clinton. Então insinuou que a saída de McCabe era iminente.

"O subdiretor do FBI Andrew McCabe corre contra o tempo para se aposentar com todos os benefícios. Restam 90 dias!", escreveu Trump.

Para os democratas, esse posicionamento de Trump era parte de uma campanha mais ampla para manchar o FBI e enfraquecer a investigação sobre suposto conluio dirigido por Mueller no Departamento de Justiça (DoJ).

O ex-procurador-geral Eric Holder elogiou McCabe em uma declaração na segunda-feira.

"O subdiretor do FBI Andrew McCabe é, e foi, um servidor público dedicado que serviu bem este país. Os ataques falsos ao FBI e ao DoJ para distrair a atenção de uma investigação criminal legítima danificam desnecessariamente no longo prazo esses fundamentos de nosso governo", apontou Holder.

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