Trump quer ressuscitar Guantánamo, de olho no EI

Washington, 1 Fev 2018 (AFP) - Donald Trump decidiu manter aberto o controverso centro de detenção de Guantánamo e disse que prenderá mais pessoas no local, abrindo um novo capítulo na história deste presídio criticado por defensores de direitos humanos.

Na terça-feira, em seu discurso sobre o estado da União, o presidente americano advertiu que os extremistas do Estado Islâmico (EI) capturados na Síria e no Iraque "serão mantidos na Baía de Guantánamo".

O presidente anunciou ter assinado um decreto ordenando ao ministro da Defesa, Jim Mattis, "que examine nossa política de encarceramento militar e mantenha abertas as instalações carcerárias da Baía de Guantánamo".

A decisão representa uma ruptura com as tentativas, que não chegaram a concretizar-se, de seu antecessor Barack Obama de fechar a prisão.

O decreto estabelece que Guantánamo pode ser útil para prender os extremistas do EI, incluindo as centenas pessoas capturadas na Síria pelas Forças Democráticas Sírias (FDS), aliadas da coalizão internacional anti-extremista.

Os militares americanos começaram a retirar os prisioneiros do EI atualmente detidos pelos aliados dos Estados Unidos. "Contam-se centenas", informou o chefe do Estado-Maior, o general Paul Selva.

Os Estados Unidos negociam o envio dos capturados a seus países de origem, mas alguns governos não reconhecem o FDS e se negam a cooperar com eles, informou à AFP o porta-voz da coalizão, o coronel Ryan Dillon: "É um problema mundial que deve ser abordado", assegurou.

No entanto, não se espera uma repatriação de prisioneiros no futuro imediato, segundo disse à AFP um porta-voz do Pentágono, a comandante Sarah Higgins.

Um dos primeiros casos a examinar poderia ser o de um combatente do EI de nacionalidade americana detido em 12 de setembro pelas FDS no Iraque e entregue depois às forças dos Estados Unidos. Seu nome é um mistério, e só a Cruz Vermelha foi capaz de reunir-se com ele.

- Detenção indefinida -Situada em uma base naval dos Estados Unidos, na ponta leste da ilha de Cuba, o centro de detenção e interrogatório de Guantánamo encarna os excessos da luta antiterrorista do governo americano à margem do sistema judicial.

No momento de mais atividade, a prisão abrigava 780 pessoas por seus supostos laços com a Al-Qaeda e os talibãs, e por seu status de "combatente inimigo" a elas não se aplicava a Convenção de Genebra, o que aumenta as suspeitas de práticas de torturas.

Somente uma dezena foi julgada, os outros foram libertados, às vezes considerados inocentes. Quarenta e um prisioneiros continuam detidos em Guantánamo, 23 deles sem acusações.

Dos 693 prisioneiros libertados desde 2002, o governo americano avalia que 17% foram vistos tarde no campo de batalha, segundo o último relatório sobre o tema realizado pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos.

Segundo defensores de direitos humanos, as duras condições de detenção e as técnicas de interrogatório do Exército americano contribuem para a radicalização dos presos, como Abu Bakr al-Baghdabi, que depois de ser solto dos campos de detenção dos Estados Unidos no Iraque se tornou líder do EI.

A manutenção da base de Guantánamo custa 445 milhões de dólares por ano, muito mais do que uma prisão segurança máxima nos Estados Unidos.

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