Berlim tem pressa para concluir acordo com Mercosul

Sófia, 27 Fev 2018 (AFP) - O secretário alemão de Comércio, Matthias Machnig, disse nesta terça-feira esperar um acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul até o fim de março, enquanto seu equivalente francês, Jean-Baptiste Lemoyne, foi mais cauteloso.

"A janela de oportunidade está prestes a se fechar novamente. Nunca estivemos tão perto de um acordo. Daqui até o fim de março ainda há quatro semanas", disse Machnig em uma entrevista à AFP, à margem de uma reunião dos 28 ministros de Comércio da UE em Sofia.

A partir de abril, quando começar os preparativos para eleições brasileiras, as negociações com o Mercosul ficam mais difíceis.

O secretário de Estado francês se mostrou mais prudente quanto à necessidade de concluir rapidamente as negociações, destacando a necessidade de um "acordo equilibrado".

"O Mercosul deve vir à UE com propostas mais fortes, pensamos no setor automobilístico, no setor agrícola com indicações geográficas protegidas, no setor de laticínios, porque nós temos, no mundo agropecuário, interesses muito fortes para fazer valer. A conta ainda não está fechada", disse à AFP.

A comissária europeia de Comércio, Cecilia Malmström, disse em coletiva esperar que as negociações avancem nesta rodada em Assunção e indicou a possibilidade de viajar ao Paraguai neste fim de semana. "Obviamente, queremos um bom acordo, é fundamental", afirmou.

No setor automobilístico, o Brasil aceitaria reduzir significativamente as tarifas aduaneiras sobre os carros europeus, desde que eles incluam uma parte significativa de peças fabricadas no Mercosul, cerca de 80%.

Os europeus, entretanto, aceitam um taxa máxima de entre 45% e 50%.

Lemoyne reafirmou a preocupação da França "com as normas sanitárias e fitossanitárias" dos produtos agropecuários. "Está claro que o consumidor europeu deseja que os produtos recebidos respeitem um certo número de condições impostas a nossos produtores", afirmou.

Entre os integrantes da UE, França e Irlanda são os mais preocupados com potenciais repercussões negativas do acordo para seus setores agropecuários, sobretudo devido à importação de carne bovina do Mercosul.

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