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Líder dos rebeldes no Iêmen morre em ataque, seguido por bombardeio em casamento

O líder dos rebeldes no Iêmen, Saleh Ali al-Sammad - Mohammed Huwais/AFP
O líder dos rebeldes no Iêmen, Saleh Ali al-Sammad Imagem: Mohammed Huwais/AFP

Sana

23/04/2018 16h51

O mais alto dirigente político dos rebeldes no Iêmen, Saleh al Sammad, morreu na semana passada durante um ataque aéreo atribuído pelos insurgentes à coalizão militar liderada pela Arábia Saudita.

Trata-se de um golpe muito forte para os rebeldes xiitas huthis, que lutam contra o governo iemenita ajudado desde março de 2015 pela coalizão militar saudita.

Em um comunicado difundido pela assessoria de imprensa Saba, os rebeldes afirmaram que Al  Sammad, chefe do gabinete político da rebelião, "morreu mártir" em 19 de abril em um ataque na província de Hodeida (oeste).

Dezenas de outras pessoas morreram e muitas ficaram feridas no ataque aéreo contra uma cerimônia matrimonial, na noite de domingo (22) no noroeste do Iêmen.

Balanços que variam de 23 a 33 mortos, e de 40 a 55 feridos, foram fornecidos por diferentes fontes médicas e pela administração local.

As circunstâncias exatas em que ocorreram os ataques de domingo (22) à noite em Bani Qais, província de Hajja (nordeste de Sanaa), ainda não são conhecidas.

A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou no Twitter que um hospital de Hajjah recebeu pelo menos 63 pacientes feridos nos ataques.

"As equipes médicas trabalham contra o tempo para atender as vítimas", apontou a organização.

O canal de televisão Al  Masirah, dirigido pelos huthis, havia indicado no Twitter que pelo menos 33 pessoas morreram e 55 ficaram feridas no bombardeio.

Acrescentou que entre os mortos havia crianças e mulheres, sem especificar dados, e que pelo menos 30 menores de idade foram feridos.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou os ataques nesta segunda-feira (23). O chefe da ONU "lembra todas as partes sobre suas obrigações pelo direito internacional humanitário em relação à proteção de civis e infraestrutura civil durante conflitos armados".

O porta-voz da coalizão liderada pela Arábia Saudita, coronel Turki al Malki, até o momento não quis comentar sobre o ocorrido.

Crise humanitária

A Arábia Saudita lidera uma coalizão de Estados árabes desde março de 2015 para combater os huthis, apoiados pelo Irã, e devolver o poder ao governo reconhecido internacionalmente no Iêmen.

Quase 10 mil pessoas morreram e 54 mil ficaram feridas desde o início do conflito, considerado uma crise humanitária pelas Nações Unidas.

Irã, grande rival xiita da Arábia Saudita sunita e acusado de armar os huthis, condenou os ataques. "Os ataques contra os bairros residenciais e os alvos civis (...) são violações de princípios humanitários", segundo o ministério das Relações Exteriores.

"Novo crime"

A assessoria de imprensa Saba, controlada pelos huthis, classificou os ataques de "novo crime genocida dos sauditas".

Não é a primeira vez que festas de casamento no Iêmen são atingidos por bombardeios imputados à coalizão: em setembro de 2015, 131 pessoas morreram na região de Moja (sudeste) e 28 na província de Dhamar (centro) no mês seguinte.

Em outubro de 2016, um ataque aéreo deixou 140 mortos em uma cerimônia funerária em Sanaa.

São frequentes os ataques contra este tipo de cerimônias. Em alguns casos, os casamentos reúnem homens armados que celebram disparando para o ar.

Em outros, os recém-casados recebem a visita de rebeldes que os felicitam em cortejos de veículos militares.

Mísseis interceptados pela Arábia Saudita

Os veículos de mídia estatais da Arábia Saudita anunciaram a interceptação de dois novos mísseis balísticos lançados pelos huthis em direção a uma província de Jizan (sul).

A rede de televisão Al  Massirah, controlada pelos rebeldes, afirmou que um míssil foi lançado contra a instalação da empresa petroleira saudita Aramco. O governo saudita não se referiu ao caso.

Enquanto isso, confrontos em Taez (sudeste) causaram a morte de cinco soldados e 19 feridos em uma operação extremista, segundo uma fonte médica.

Esta operação foi lançada depois da morte neste sábado (21) de um funcionário libanês do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) por disparos contra um comboio da organização humanitária. As autoridades locais suspeitam dos extremistas como autores do ataque.

Uma boa parte de Taez, terceira cidade do Iêmen, está nas mãos das forças pró-governamentais, mas as entradas da cidade são controladas pelos huthis.

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