Pompeo vai à reunião da Otan e dilui imagem de 'falcão'

Bruxelas, 27 Abr 2018 (AFP) -

Recém-empossado como secretário de Estado americano, Mike Pompeo desembarcou nesta sexta-feira (27) em Bruxelas para insistir em uma das principais demandas de seu chefe, o presidente Donald Trump: exigir dos aliados da Otan que ponham a mão no bolso.

Com uma reputação de "falcão" que o antecede, o novo secretário se reuniu pela primeira vez com seus colegas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), apenas algumas horas depois de prestar juramento ao cargo.

Segundo fontes diplomáticas ouvidas pela AFP, Pompeo deu uma boa impressão entre os colegas e aliviou os temores de um abandono da via dupla seguida em relação à Rússia: uma mistura de dissuasão militar com diplomacia.

"Mike Pompeo insistiu, evidentemente, na necessidade de compartilhar a carga (dos gastos), mas fez isso sem qualquer agressividade. Pelo contrário, esteve atento e participou de todas as discussões", disse à AFP o ministro luxemburguês das Relações Exteriores, Jean Asselborn.

Desapareceram os temores de um endurecimento com Moscou, completou Asselborn.

"A Otan continuará com a via dupla em relação à Rússia", confirmou o secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg, em uma entrevista coletiva, após a conversa sobre as relações com Moscou.

"Nos encontramos em uma situação inédita com a Rússia. Não estamos mais na Guerra Fria, mas não é a associação estratégica que buscávamos construir depois da Guerra", reconheceu Stoltenberg.

"Devemos nos mostrar firmes (no que se refere à Rússia) e mostrar uma unidade forte, deixando a porta aberta ao diálogo", frisou.

Até o início dessa reunião, vários ministros europeus insistiram na necessidade de se manter o diálogo com Moscou.

"Não haverá solução para vários conflitos sem a Rússia", chegou a dizer o ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas.

- Dividindo a carga -Mike Pompeo foi direto ao ponto.

"Espero ter uma visita produtiva aqui, hoje", declarou, após cumprimentar o chefe da Otan, Jens Stoltenberg.

A mensagem é velha conhecida dos membros da organização. Desde a campanha eleitoral, Trump afirma que os demais membros devem aumentar seus gastos militares para reduzir a participação de seu maior contribuinte, no caso, Washington.

Alguns aliados, como Alemanha e Bélgica, estão muito longe do compromisso adotado por seus colegas da Otan em setembro de 2016 de destinar 2% de seu PIB para defesa. Várias vezes, Trump atacou Berlim publicamente, acusando os alemães de deverem "enormes quantias de dinheiro". A Alemanha nega de forma categórica.

"Seis países da Otan fazem isso, outros nove apresentaram planos críveis de serem cumpridos. Já é hora de os outros 13 membros da Aliança se colocarem nesse nível, especialmente a Alemanha, o maior e mais rico membro europeu da Otan", afirmou uma fonte americana de alto escalão, acrescentando que Berlim não prevê aumento de seus gastos militares para além de 1,25% de seu PIB até 2021.

Essas declarações ganham força, no momento em que a chanceler alemã, Angela Merkel, prepara-se para uma reunião com o presidente Donald Trump ainda nesta sexta-feira, em Washington.

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