Novo ataque da coalizão árabe no Iêmen mata dezenas de rebeldes

Sana, 28 Abr 2018 (AFP) -

Dezenas de rebeldes, incluindo dois comandantes, foram mortos em um ataque da coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen, informou a imprensa saudita neste sábado (28), um novo revés para os insurgentes após o assassinato de seu líder político.

O novo ataque aéreo foi realizado na sexta-feira à noite na capital iemenita Sanaa, controlada pelos rebeldes, segundo a televisão estatal saudita Al-Ekhbariya. Os rebeldes huthis confirmaram o ataque, sem fornecer mais detalhes.

Foi em março de 2015 que uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita interveio no vizinho Iêmen para ajudar o regime de Abd Rabbo Mansur Hadi a impedir o avanço dos huthis pró-iranianos que haviam ocupado vastas extensões de território, incluindo Sanaa.

Em resposta a este novo ataque, os rebeldes dispararam oito mísseis contra o território saudita. Mas as autoridades sauditas disseram que interceptaram quatro mísseis sobre a cidade fronteiriça de Jizan.

Com a proliferação dos ataques direcionados contra os rebeldes, a Arábia Saudita continua firmemente decidida, segundo especialistas, a favorecer uma solução militar para o conflito que já causou quase 10 mil mortes e uma grave crise humanitária.

Segundo o canal Al-Ekhbariya, mais de 50 rebeldes, incluindo dois comandantes, pereceram no ataque em Sanaa, que teve como alvo uma reunião na sede do ministério do Interior para preparar o funeral de Saleh Al-Sammad, líder do Conselho Político Supremo Huthi, assassinado em 19 de abril em um ataque reivindicado pela coalizão.

Neste sábado, em Sanaa, milhares de partidários dos huthi marcharam pelas ruas no funeral de Saleh al-Sammad, número dois dos rebeldes morto com seis de seus companheiros, de acordo com um correspondente da AFP.

Saleh al-Sammad é a maior figura política rebelde a ser morta desde o início do conflito. Seu comboio foi atingido em Hodeida, no oeste do país.

Este assassinato foi "o maior sucesso da coalizão até agora e isso indica que suas capacidades de inteligência estão melhorando", aponta Adam Baron, especialista no Conselho Europeu de Relações Exteriores.

Mas, segundo ele, no passado, os huthis "perderam líderes-chave e conseguiram se recuperar".

A escalada dos ataques sauditas coincide com a visita do novo secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, neste sábado, a Riad, para seu primeiro contato com autoridades sauditas.

Arábia Saudita e Estados Unidos acusam o Irã de fornecer mísseis aos huthis. Teerã diz que apoia os rebeldes iemenitas, mas nega armá-los.

A guerra no Iêmen tomou gradualmente um rumo de "guerra por procuração" entre a Arábia Saudita sunita e o Irã xiita, os dois pesos-pesados da região.

Em 17 de abril, o novo enviado da ONU para o Iêmen, o britânico Martin Griffiths, prometeu fornecer "dentro de dois meses um quadro de negociações".

Neste contexto, um líder do grupo extremista Estado Islâmico (EI) no Iêmen teria sido morto e três outros membros da organização presos neste sábado durante uma ofensiva de tropas do governo no sul do país, segundo a polícia.

Saleh Nasr Fadl al-Bakhshi, "emir" da facção do EI nas regiões de Aden e Abyan, foi morto em uma operação contra um esconderijo do EI no norte de Aden, indicou à AFP um policial.

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