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Erdogan reivindica a vitória nas presidenciais na Turquia

Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan - Alkis Konstantinidis/Reuters
Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan Imagem: Alkis Konstantinidis/Reuters

Em Istambul

24/06/2018 19h12

O atual presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, reivindicou sua vitória nas eleições presidenciais e legislativas deste domingo (24), o que abre caminho para um novo mandato de cinco anos com poderes consideravelmente reforçados.

"Os resultados não oficiais das eleições são claros. Segundo os mesmos, nossa nação me confiou a responsabilidade de presidente da República", declarou Erdogan em Istambul, reivindicando também a maioria parlamentar para a aliança dominada por seu partido, o AKP.

De acordo com a agência de notícias estatal Anadolu, Erdogan lidera a eleição com 52,6% depois de apurados 97% das urnas, enquanto que a aliança dominada por seu partido, o AKP, conta com 53,65%.

Seu principal adversário, o social-democrata Muharrem Ince, aparece em segundo lugar, com menos de 30,7%, e a aliança anti-Erdogan formada por vários partidos da oposição para a parte legislativa do governo conta com quase 34%, de acordo com os resultados parciais publicados pela Anadolu.

Mas o partido de Ince, o CHP, contesta esses resultados, afirmando que as cifras mostram que Erdogan teria obtido menos dos 50% votos necessários.

Sem esperar a declaração de Erdogan, milhares de partidários do atual presidente se reuniram em frente à sua residência em Istambul para celebrar antecipadamente a vitória.

Em 15 anos de governo, Erdogan se impôs como o mais poderoso líder turco desde o fundador da República, Mustafa Kemal.

Transformou a Turquia por meio de megaprojetos de infraestrutura e liberou a expressão religiosa, tornando Ancara um importante ator regional.

Mas seus críticos acusam o "rais" de 64 anos de autoritarismo, especialmente desde a tentativa de golpe de julho de 2016, seguida de grandes expurgos que atingiram os mais diversos setores da sociedade, incluindo opositores e jornalistas, e que causaram preocupação na Europa.

Mais de 56 milhões de eleitores deveriam votem nestas eleições que marcam a transição do atual sistema parlamentar para um regime presidencial com poderes reforçados por Erdogan.

Após votar em Istambul, Erdogan defendeu esta mudança, que ele classificou de "revolução democrática", enquanto seus partidários gritavam seu nome em frente ao colégio eleitoral.

Ele também indicou que as eleições corriam "sem problemas graves", mas a oposição já denunciou uma série de tentativas de fraudes.

Confiante, o chefe de Estado convocou essas eleições durante o estado de emergência e mais de um ano antes da data prevista. Mas foi surpreendido pelo agravamento da situação econômica e por uma oposição unida.

Vendo nessas eleições sua última chance de deter Erdogan em sua busca por um poder incontestável, partidos tão diferentes quanto o CHP (social-democrata), o Iyi (nacionalista) e o Saadet (islamita) formaram um aliança sem precedentes para as legislativas, com o apoio do HDP (pró-curdo).

O candidato presidencial do CHP, Muharrem Ince, um deputado tenaz, emergiu como o principal rival de Erdogan para a eleição presidencial, atraindo multidões em todo o país e despertando uma oposição atordoada por suas sucessivas derrotas.

"A cada eleição, tenho esperança. Mas este ano acredito muito mais", declarou à AFP Hulya Ozdemiral em frente a uma assembleia de voto em Istambul.

Maioria parlamentar em jogo

Era preciso que Erdogan garantisse mais de 50% dos votos para evitar um segundo turno, que aconteceria em 8 de julho.

Acima de tudo, os observadores não excluem a possibilidade de a aliança opositora privar o AKP de sua maioria parlamentar, o que mergulharia a Turquia no desconhecido, já que enfrenta uma situação econômica delicada.

Durante a campanha, Erdogan apareceu na defensiva, prometendo, por exemplo, levantar rapidamente o estado de emergência ou acelerar o retorno dos refugiados sírios ao seu país, mas somente depois que Ince prometeu o mesmo.

Este último conduziu uma campanha enérgica, prometendo reverter a transição para um regime presidencial que entrará em vigor após as eleições, depois de um controverso referendo constitucional organizado pelo presidente em abril de 2017.

Para Erdogan, essa reforma, que elimina o cargo de primeiro-ministro e permite que o presidente governe por decreto, é necessária para dotar o país de um executivo forte e estável. Mas seus oponentes o acusam de querer monopolizar o poder.

Voto curdo crucial

A campanha foi marcada por uma cobertura da mídia muito favorável ao presidente turco, que teve seus discursos transmitidos pela televisão.

O candidato do partido pró-curdo HDP, Selahattin Demirtas, foi forçado a fazer campanha de dentro de uma cela: acusado de atividades "terroristas", ele está preso desde 2016.

"Tenho certeza que o resultado será ótimo", escreveu no Twitter, após votar da prisão.

Um dos fatores determinantes dessas eleições será justamente a participação do eleitorado curdo.

Se o HDP ultrapassar os 10% dos votos necessários para entrar na Assembleia, o AKP poderá perder a maioria parlamentar. Mas se não conseguir ultrapassar esse limite, o AKP colherá, por redistribuição, a maioria de seus votos.

Temendo fraudes, especialmente no sudeste, dominado pelos curdos, opositores e ONGs mobilizaram centenas de milhares de observadores para monitorar as urnas.

O CHP denunciou irregularidades na província de Sanliurfa (sudeste), citado tentativas de encher as urnas de votos.

Depois de votar em seu reduto de Yalova (noroeste), Ince disse que iria a Ancara para esperar pelos resultados em frente à sede da alta autoridade eleitoral.

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