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Polícia britânica não descarta mais mais casos de exposição ao Novichok

09/07/2018 11h28

Londres, 9 Jul 2018 (AFP) - O chefe da polícia antiterrorista britânica afirmou que não é possível garantir que não surjam mais casos de pessoas expostas ao Novichok, o agente neurotóxico que foi a causa da morte por envenenamento de uma mulher na cidade de Salisbury.

"Simplesmente, não posso oferecer nenhuma garantia", afirmou Neil Basu, recordando, no entanto, que as autoridades de saúde "destacaram que o perigo para o público em geral é baixo".

Basu explicou que 21 pessoas foram a centros médicos porque estavam se sentindo mal e achavam ter sido expostas a esta substância, mas o exame nada constatou e receberam alta sem problemas.

As declarações do comandante produzem depois de conhecidas a morte de Dawn Sturgess, uma britânica de 44 anos que foi hospitalizada em estado grave em 30 de junho, em Salisbury, assim como seu companheiro, um homem de 45 anos, igualmente envenenado por esta potente substância.

A britânica internada desde sábado faleceu na noite de domingo e a polícia britânica iniciou uma investigação por homicídio.

A Scotland Yard explicou que o homem também contaminado continua em estado crítico.

Um de seus amigos afirmou à AFP que se trata de Charlie Rowley e que estava com sua parceira, Sturgess.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, reagiu imediatamente ao anúncio da morte da vítima. "Estou horrorizada e consternada pela morte de Dawn Sturgess", declarou a premiê, citada em um comunicado.

"A Polícia e os agentes de segurança trabalham para esclarecer os fatos", continuou. "O governo dá todo seu apoio à população local, que se vê diante dessa tragédia".

"Dawn deixa sua família e três filhas, e nossos pensamentos e orações estão com eles neste período extremamente difícil", declarou Neil Basu na ocasião.

"Essa terrível notícia só reforça a nossa determinação em resolver essa investigação, identificar e julgar os responsáveis", assinalou.

- "Rezo por Charlie" -"Isso poderia ter acontecido com qualquer um, comigo, com a minha mulher", disse no domingo à AFP Ben Jordan, de 27 anos, hospedado no mesmo abrigo para pessoas em situação de rua de Salisbury onde vivia Dawn Sturgess, que foi desalojado pela polícia depois que se soube do envenenamento. "Estamos muito, muito tristes. Rezo para que Charlie volte".

O casal foi hospitalizado após ter manipulado um "objeto contaminado", informou a Polícia britânica, vinculando o incidente ao envenenamento do ex-espião russo, Serguei Skripal, e sua filha, Yulia, em Salisbury em março.

O ex-agente duplo russo e a filha ficaram à beira da morte após terem sido contaminados com Novichok em Salisbury, cidade a 10 quilômetros de Amesbury, onde os serviços de emergência socorreram em ambulâncias o casal de britânicos.

A polícia não conseguiu determinar se o Novichok procede do mesmo lote nos dois casos.

"Os detetives trabalham o mais rápido e diligentemente possível para identificar a fonte da contaminação, mas até o momento não foi identificada", disse a polícia neste domingo.

Yulia e Serguéi Skripal receberam alta hospitalar semanas depois à entrada de emergência, assim como Nick Bailey, o primeiro policial que os ajudou.

"Sei que esta notícia vai afetar muita gente, muito além daqueles que conheciam Dawn", disse Kier Pritchard, chefe de polícia do condado de Wiltshire. Também pode provocar um aumento da "preocupação" da população, acrescentou.

Os moradores de Salisbury e de Amesbury já expressaram seus temores e sua incompreensão após o anúncio da hospitalização do casal e do isolamento de vários pontos da cidade.

"Não podemos ficar seguros de que isso não se repetirá, é a segunda vez, por que não haveria uma terceira?", perguntou na sexta-feira Madeleine Webb, de 82 anos.

Londres atribuiu a tentativa de envenenamento dos Skripal a Moscou, que negou qualquer tipo de implicação. O caso desencadeou uma grave crise diplomática entre o Kremlin e o Ocidente.

O ministro britânico do Interior, Sajid Javid, afirmou no domingo durante uma visita a Salisbury que o governo britânico não tem "como projeto atual" impor novas sanções à Rússia.

O Kremlin reagiu nesta segunda-feira afirmando ser absurdo que a Rússia seja acusada pela morte da britânica.

"Não estamos a par de que a Rússia esteja de alguma maneira associada a isso. Consideramos que seria bastante absurdo", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, falando à imprensa.

"Lamentamos profundamente a morte de uma britânica, e a Rússia continua muito preocupada com a presença de substâncias tóxicas no território da Grã-Bretanha", acrescentou.

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