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Internacional

Premiê cambojano elogia esforço para 'eliminar traidores' em ato de campanha

27/07/2018 17h06

Phnom Penh, 27 Jul 2018 (AFP) - O primeiro-ministro do Camboja, Hun Sen, elogiou nesta sexta-feira (27) os resultados dos esforços para "eliminar os traidores", durante discurso em um comício eleitoral maciço de encerramento de campanha dois dias antes de legislativas cercadas de polêmica, que a oposição pede para boicotarem.

"Recentemente, tomamos ações legais para eliminar os traidores que tentaram derrubar o governo", disse à multidão de simpatizantes do partido governista, que comemoravam a medida judicial contra a oposição.

"Se não os tivéssemos eliminado com mão de ferro antes, talvez agora o Camboja estaria em guerra", disse.

O país vive um período de tensão política, sem que haja uma oposição confiável desde a dissolução, no final de 2017, do Partido para o Resgate Nacional do Camboja (CNRP) e desde que seu líder, Kem Sokha, foi detido em setembro.

Ativistas de direitos humanos acusam o primeiro-ministro, Hun Sen, de querer se manter no poder a qualquer custo e tanto Washington quanto Bruxelas retiraram sua ajuda para a organização destas eleições, controversas e boicotadas pela oposição, exilada do país pela perseguição judicial que diz ser motivada politicamente.

"Os que não vão votar de propósito destroem a democracia com o apoio de grupos fora da lei que agem do exterior", advertiu o primeiro-ministro, em alusão aos opositores no exílio.

Hun Sen também fez referência aos apelos de Rhona Smith, relatora da ONU para o Camboja, que exortou o governo a respeitar a liberdade dos eleitores e indicar claramente que os apelos pelo boicote estavam autorizados.

O político comparou seu país com o Paquistão, que também celebrou eleições esta semana.

"A diferença é que aqui não temos violência ou atentados", comemorou Hun Sen, protegendo-se do sol forte com uma viseira do Partido do Povo Cambojano (PPC).

- "Uma farsa" -As duras declarações de Hun Sen sobre a oposição são habituais. No passado, já os tinha ameaçado com o "inferno", convidando-os, também, a "preparar seus caixões" em caso de qualquer objeção. Então, disse que esperava se manter no poder durante outros dois mandatos.

No domingo foram mobilizados mais de 80.000 agentes e a Polícia disse estar pronta para "impedir qualquer ato de terrorismo ou de caos político".

O Camboja já realizou seis eleições, inclusive o primeiro pleito sob a égide da ONU em 1993, depois que o país emergiu de várias décadas de guerra civil.

Hun Sen apresentou-se como o salvador da pátria após os estragos do regime do Khmer Vermelho, embora tenha sido membro deste grupo ultramaoísta.

Vinte partidos disputam as eleições, mas muitos são formações novas com origens obscuras, e foram muito criticados por acusações de que estão ajudando a legitimar a votação ao participar do pleito.

"As eleições no Camboja são uma farsa que está desenhada para prolongar o regime autoritário de Hun Sen e que vai mergulhar o país em mais miséria e repressão", disse na quinta-feira, em um comunicado, Debbie Stothard, secretária-geral da Federação pelos Direitos Humanos.

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