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Centro de formação de parteiras é atacado no Afeganistão

Equipes de segurança chegam a local onde ocorreu uma explosão na cidade de Jalalabad - Saifurahman Safi/Xinhua
Equipes de segurança chegam a local onde ocorreu uma explosão na cidade de Jalalabad Imagem: Saifurahman Safi/Xinhua

28/07/2018 11h58

Um centro de formação de parteiras em Jalalabad, uma das cidades mais conservadoras do leste do Afeganistão, foi alvo, neste sábado (28), de um ataque, que terminou após sete horas e a morte dos dois terroristas.

Os 67 estudantes e funcionários do centro de formação foram libertados em segurança, mas duas pessoas foram mortas - um guarda e um motorista - e cinco feridas, segundo indicou à AFP o porta-voz da polícia de Nangarhar, Ghulam Sanyee Stanikzai.

O ataque não foi reivindicado, mas um porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, assegurou à AFP que "o ataque de Jalalabad não tem nada a ver com a gente", deixando supor que a ação foi conduzida por extremistas do grupo Estado Islâmico. 

"O ataque foi dirigido contra o nosso centro de formação de parteiras", declarou o porta-voz da secretaria de saúde provincial, Inamula Miakhil, depois que vários moradores relataram explosões na área.

O porta-voz do governador da província de Nangarhar, Attaula Khogyani, confirmou o fim da operação, indicando que três membros das forças armadas foram feridos.

Ele havia explicado, num primeiro momento, que 57 pessoas, incluindo estudantes, professores e funcionários administrativos, que estavam no prédio "estavam em segurança, mas ainda faltam dez".

Uma primeira explosão ocorreu às 11h30 (4h30 de Brasília) e, "até o momento, três feridos foram levados para o hospital, várias parteiras receberam cuidados", acrescentou.

Testemunhas explicaram à AFP que ouviram várias explosões, seguidas de tiros. Ehsan Niazi, que estava na secretaria do Trabalho e Assuntos Sociais, localizado em um edifício próximo ao centro de formação, viu fumaça saindo do prédio e várias ambulâncias.

"Após a primeira explosão, ouvi outras três e vi três atacantes na rua que leva ao centro de formação", explicou.

Outra testemunha que não quis se identificar disse ter ouvido tiros. "Eu ouvi disparos e vi vários assaltantes colocando minas" para impedir a aproximação dos socorristas e das forças de segurança. "As forças afegãs estão desativando as bombas para avançar", acrescentou.

A formação de parteiras é essencial no Afeganistão, onde, segundo dados da Unicef, apenas 45% das mulheres recebem assistência médica durante o parto.

A taxa de mortalidade infantil melhorou consideravelmente nos dez anos seguintes à intervenção americana em 2001 para derrubar o regime talibã.

Mas, desde então, este quadro tem se agravado pela falta de pessoal qualificado e estruturas de saúde em áreas remotas ou inseguras, diz a USAID, a agência de desenvolvimento dos Estados Unidos e um dos principais doadores do país.

Em 2015, a taxa de mortalidade infantil foi de 396 mortes para cada 100 mil nascimentos, em comparação com mais de 1.600 estimados em 2002. No entanto, vários observadores questionam estes números, porque a Unicef não tem acesso a várias áreas.

A cidade de Jalalabad, capital do leste do Afeganistão e na província de Nangarhar, é uma das mais conservadoras do país e alvo de ataques do Talibã ou do grupo jihadista Estado Islâmico.

O último atentado ocorreu em 11 de julho contra um prédio que abriga a secretaria de Educação. A operação, que ainda não foi reivindicada, deixou pelo menos onze mortos.

Na véspera, um ataque suicida do EI contra um comboio dos serviços de informação afegãos deixou 12 mortos, a maioria civis, que morreram em um incêndio em um posto de gasolina causado pela explosão.


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