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O refúgio, a nova esperança para os venezuelanos no Peru

28/08/2018 21h21

Lima, 29 Ago 2018 (AFP) - O venezuelano Jhon Róquez, um advogado de 23 anos, acaba de conseguir o estatuto de refugiado no Peru, o que dá uma autorização de trabalho de dois meses de duração renovável simplesmente com um clique na Internet de qualquer parte do país.

Seu irmão Alfredo também conseguiu este documento, que lhe abrirá as portas para um "melhor trabalho, estar mais seguros e legais no país", explica Jhon à AFP após receber a notícia.

Como eles, centenas de venezuelanos faziam fila no escritório da Comissão Especial de Refugiados da Chancelaria peruana, no distrito de San Isidro, para realizar os trâmites de refúgio.

Segundo as autoridades peruanas, 120 mil venezuelanos tiveram direito a este estatuto desde 2015, apenas um quarto dos que chegaram ao país fugindo da crise política e econômica que atinge o país petroleiro.

A solicitação de refúgio é independente do processo para a permissão temporária de permanência ou para qualquer outro status migratório, detalhou nesta terça-feira o chanceler peruano, Néstor Popolizio.

Embora os irmãos Róquez possam trabalhar no Peru, é pouco provável que possam exercer sua profissão de advogados.

Por enquanto trabalham em uma barbearia na cidade de Trujillo, onde cada um recebe um salário de 1.200 sóis (cerca de 360 dólares), contaram.

"O diploma serve para colocar na parede e ali ficar", diz o engenheiro civil Víctor Caracha, que também espera obter essa permissão que lhe permitirá viver tranquilo no país de acolhida, onde chegaram cerca de meio milhão de venezuelanos.

- 'Cruzamento de dados' -O governo peruano exige desde sábado passaporte aos venezuelanos, mas estes puderam continuar entrando no país sem apresentar este documento como prévia solicitação de refúgio.

Também podem entrar no Peru sem passaporte - documento difícil de conseguir na Venezuela devido aos intermináveis trâmites, a corrupção e a falta de papel - as grávidas, os idosos e as crianças que chegam para se reunir com seus pais.

Mais de 2,3 milhões de venezuelanos vivem no exterior (7,5% da população). Deles, mais de 1,6 milhão saíram de seu país a partir de 2015 diante da piora da crise.

Cerca de 90% ficaram na América Latina, segundo cifras do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e da Organização para as Migrações (OIM).

Colômbia e Peru anunciaram nesta terça que compartilharão os dados de milhares de venezuelanos que estão atendendo, em um primeiro passo para uma política regional diante do fluxo migratório gerado pela crise venezuelana.

Com essa base comum de informação, as autoridades buscam evitar que os migrantes recebam os mesmos benefícios em ambos os países, "tirando a possibilidade de outros" venezuelanos de ter acesso a planos de atenção, disse Christian Krüger, diretor do Migração Colômbia.

A Colômbia regularizou temporariamente 820.000 venezuelanos nos últimos meses e ao Peru chegaram em torno de meio milhão. No Chile, somente nos primeiros sete meses deste ano chegaram 147 mil, além dos 177 mil que o fizeram no ano passado.

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